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Ponte Vicent Thomas

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Ponte Vicent Thomas

Mensagem  Administração em Seg Out 24, 2011 6:16 pm



A Ponte Vincent Thomas é uma ponte suspensa de 1.847 metros de comprimento em Los Angeles, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos que liga San Pedro à Los Angeles. É a terceira maior ponte pênsil, na Califórnia. A altura livre do canal de navegação é de aproximadamente 185 metros.
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Re: Ponte Vicent Thomas

Mensagem  Administração em Qua Out 26, 2011 6:03 pm

Depois de saírem de Nova York, os semideuses se depararam com várias outras situações. Uma coisa que perceberam, é que os dias ficaram mais longos, mesmo não sendo verão. Isto por influência de Hemera, deusa primordial do dia, que se mostrava até agora anônima na guerra, mas que sempre torceu para os campistas. Para ajudá-los, sabendo que Amber, filha de Nix, os seguia, prolongava os dias para diminuir os poderes da semideusa.
Na Filadélfia, esta busca realmente começou, com Amber tentando invadir o local em que os semideuses se encontravam. Quase pegara Bethany, mas esta foi novamente salva por Cassandra. Clarisse indicava as coisas certas e caminhos a seguir para fugir de Amber, mas um desentendimento com Suzannah quase resultou em sua morte. Desde então, todos perceberam o quanto Clarisse sabia guiar os outros em uma missão.
Em várias cidades, algo que fora percebido era o orgulho de James Brown. Algumas vezes se recusara a fazer coisas para ajudar os outros pelo seu ego, até que perto de Utah, ele fora lembrado de sua parte na profecia, assim que salvou a todos se rendendo ao que deveria fazer.
Suzannah tivera visões no trajeto, principalmente quando chegaram em Nevada, o que os ajudou a seguir, agora rumo à Califórnia. Passando por São Francisco, conseguiram com a ajuda da própria Hécate, ser teletransportados para Los Angeles, exatamente abaixo da ponte Vicent Thomas...
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Re: Ponte Vicent Thomas

Mensagem  Bethany Bloom em Qua Out 26, 2011 6:29 pm



Bethany Bloom
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"Turn off your mind, relax and float down stream, it's not dying, it's not dying.
Lay down all thoughts, surrender to the void, it is shining, it is shining"


Finalmente chegamos a Los Angeles. Os últimos raios de sol se punham no horizonte, e apenas agora que as primeiras estrelas apareciam no céu. Fiquem pensando no que os mortais achariam de escurecer mais tarde, mesmo estando quase no inverno. Olhei para a imensa ponte a nossa frente. Era realmente linda, principalmente agora, no final da noite. Eu nunca havia vindo para esse lado do país, mas nunca tivera um desejo muito grande. A primeira coisa que lembrei, na verdade, foi que Jack dissera que morava aqui. O apartamento de sua mãe deveria estar em algum lugar, e automaticamente olhei para James, mas ele continuou calado. Na verdade, ele permanecia assim quase toda a missão. E é claro, todos nós já estávamos acostumados com isso. Eu sabia, por Jack, que sua mãe passava por alguns problemas e me peguei perguntando se James estaria pensando nisso, agora que voltara a sua cidade natal. Enfim, voltando a falar dela, eu sempre havia escutado que a Califórnia era mais quente que o resto do país. Verdade, mesmo no inverno. Peguei um elástico e prendi de leve meu cabelo, para por fim olhar para Clarisse, quem estava nos guiando na missão. — Para aonde agora? — Perguntei.
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Re: Ponte Vicent Thomas

Mensagem  James Brown em Qui Out 27, 2011 5:00 pm


James Brown :: Nível 2


E lá estávamos nós. Los Angeles. Não sei porque eu me sentia estranho voltando aqui. Era como se agora, este fosse até mesmo outro mundo, de uma outra vida. A primeira coisa em que pensei aqui, incrivelmente não foi minha mãe, mas não nego que depois de pensar em várias coisas, ela veio em minha mente. Senti uma grande necessidade de vê-la, de confirmar que estava bem. Afinal, nesses poucos meses que ficou sozinha, é bem possível que já tenham até mesmo matado ela, ou que ela tenha se matado.
— Seja para onde for, preciso confirmar uma coisa antes. E tem que ser agora.
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Re: Ponte Vicent Thomas

Mensagem  Suzannah Simon em Qui Out 27, 2011 5:48 pm


Suzannah Simon
Level 07
Daughter of Hécate
"Defend what you believe. It is their opinion that matters, not the other."


Respirou fundo ao finalmente se deparar a frente da Ponte. O céu já escurecia trazendo algumas estrelas e a lua minguante. Logo será a Nova, pensou rapidamente Suzannah, pensando em como seria mais vantajoso para ela se a invasão acontecesse durante essa lua. Enfim, voltou a fitar os outros companheiros, que pareciam esperar alguma ordem de Clarisse. James, entretanto, não esperou nada, falando que precisava confirmar uma coisa e nem esperou a opinião dos outros — como sempre. Suzannah detinha uma expressão ainda meio irritada com o comportamento do garoto, mas tentou se acalmar um pouco. — E o que seria? — Perguntou, enquanto os outros pareciam ter a mesma pergunta.
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Re: Ponte Vicent Thomas

Mensagem  James Brown em Qui Out 27, 2011 6:13 pm


James Brown :: Nível 2


Olhei feio para Suzannah. Essa menina parecia realmente desde o começo, me odiar, e o sentimento era mútuo. Ela me olhava e perguntava aquilo como se fosse apenas para eu dar um passeio de noite por aí para curtir Los Angeles. Cruzei os braços.
— São coisas de família, Suzannah. Você tem uma? Se tem ou teve, sabe que temos que nos certificar de certas coisas de vez em quando. Mas não me importa. Se quiser vir venha, tanto faz. Quem quiser também, não me atrapalha. Mas eu tenho que ir.
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Re: Ponte Vicent Thomas

Mensagem  Bethany Bloom em Qui Out 27, 2011 6:27 pm



Bethany Bloom
Daughter of Zeus
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"Turn off your mind, relax and float down stream, it's not dying, it's not dying.
Lay down all thoughts, surrender to the void, it is shining, it is shining"


É, eu sabia que James havia pensado em sua mãe. Ora, por que não pensaria? Estando na cidade em que nasceu e cresceu, e com sua mãe a apenas algumas quadras (talvez mais, talvez menos, não importa, só não atrapalhe meu raciocínio) e sabendo que ela poderia não estar bem? Enfim, assenti para ele concordando em ir. Talvez para dar uma força para qualquer coisa, mas não importa. Eu sabia que talvez seria melhor eu ir junto. — Tudo bem, James, eu vou com você. — Vi que Suzannah e James continuavam com o mesmo ódio um pelo outro, e já haviam começado uma pequena provocação. Apenas revirei os olhos. — Vamos de uma vez.
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Re: Ponte Vicent Thomas

Mensagem  Suzannah Simon em Qui Out 27, 2011 6:37 pm


Suzannah Simon
Level 07
Daughter of Hécate
"When I was eight, I was sure I was growing nerves like steel in my palm."


Suzannah viu que ele a olhou de uma forma feia, e ela sentiu ainda mais irritada. Assim que ele falou de família, ela sentiu uma leve pontada, lembrando do seu pai. — Sim, eu já tive família. — Murmurou ela, mas sem questão de falar com raiva. Falou apenas normalmente. — Eu sei da sua preocupação, James, porque eu já tive. Talvez não o suficiente, mas agora não importa. — Ela continuou, fazendo um gesto para que eles apenas esquecessem aquilo. — Só ainda estou um pouco irritada com algumas coisas que aconteceram na missão, mas deixe. Desculpa. — Finalizou, e virou-se para as outras. — Vocês vem? — Perguntou, deixando explícito que ela iria. Clarisse negou, dizendo que ela, Cassandra e Annabelle iriam procurar algum lugar para dormirem. Combinaram algum local para se encontrarem. Se acabasse dando algum desencontrou, mandariam uma mensagem por celular — que até então esteve desligado, é claro — mas mais em último caso. Assim, o grupo se dividiu e foi cada um para cada lado.


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Re: Ponte Vicent Thomas

Mensagem  Sierra Lenski em Ter Out 14, 2014 8:07 pm


3 dias antes da fuga

...Ela se sentia uma pessoa horrível. Desde pequena, sempre que fazia propositalmente algo ruim – independente dos motivos, da intensidade do que fizera e para quem fizera – Sierra passava horas remoendo suas lembranças e sentindo-se imensamente culpada. Certa vez, com cerca de seis anos, havia jogado um brinquedo de Nate pela janela da sala ao irritar-se com ele, mas, acidentalmente, o pai esmagou o objeto ao passar com o carro sobre ele.. Quando ouviu o barulho do plástico sendo estraçalhado, a menina debulhou-se em lágrimas e assim que o irmão se aproximou, ela lhe implorou para que a desculpasse.
...O mesmo repetiu-se quando atirou no pé de um dos tutores em armas que a treinava, um homem carrancudo e rechonchudo que gritava com ela a cada minuto e a chamava de Sirra. Ela o detestava e quando ele disse que ela aprendendo a atirar era como um russo tentando se passar por americano, ela explodiu. Depois, arrependida, visitou-o no hospital e pagou com o dinheiro do pai as despesas médicas, além de ter mandado cartas pedindo desculpas todos os dias em que ele ficou lá. Mas, depois que teve alta, ele não retornou para treiná-la.
...E, quando esfaqueou o empregado do pai em Novosibirsk, sentiu-se igualmente culpada. E até má. Parecia tornar-se a cada dia mais fria e capaz de ferir os outros, como uma faca sendo amolada com o passar dos anos. Envergonhada demais para entrar em contato com o homem por si mesma, utilizou de alguns meios para descobrir como ele estava – e se estava vivo. Descobriu que não o tinha matado, mas ele teve que passar por cirurgias devido a um rompimento na bexiga e no intestino grosso, além de ter perdido bastante sangue no local do “crime”. Como já haviam passado semanas, as operações já haviam sido pagas e ela não teve coragem de pedir desculpas pessoalmente pelo modo como havia agido, portanto decidiu que uma certa quantia doada anonimamente à família dele talvez ajudasse um pouco.
...Mas dessa vez era diferente. Não havia sido um acidente com o irmão, uma bala no pé de um tutor grosseiro ou o esfaqueamento de um estranho, não, ela havia machucado o próprio pai e, independentemente do que ele houvesse feito, sentia-se acabada. Passou toda a adolescência tentando conseguir a aprovação dele e, depois da noite passada, tudo havia sido jogado pela janela e esmagado como o brinquedo de Nate. Parte dela queria ir imediatamente procurá-lo e pedir desculpas por ter esfaqueado a mão dele e a prendido na parede, mas outra parte, a que sofreu nas mãos do lado psicótico de Ivanov, recusava-se a pedir perdão a ele.
...Estava nessa guerra interna quando alguém bateu à porta de seu quarto. Três batidas agudas e rápidas com os nós dos dedos e duas batidas graves com o punho. Era Nathan.
...- Entre. – Gritou para ele, saindo da varanda e entrando no quarto também.
...Ele entrou e fechou a porta atrás de si. Os cabelos castanhos estavam bagunçados e ele usava jaqueta preta sobre uma camiseta branca e simples, calça cáqui e botas pretas. O olhar demonstrava agitação e ele estava visivelmente animado. Abri a boca para falar, mas ele me interrompeu.
...- Não diga nada. Preciso falar com você e preciso que me deixe fazer isso. – Disse, aproximando-se da irmã.
...Ele soube, foi o que ela pensou. Não sabia o que esperar e, por um momento, intimidou-se e encolheu-se, temerosa sobre a reação dele à notícia do crime cometido por ela. E se ele a julgasse mal? Duvidava bastante, pois se alguém detestava Ivanov Lenski mais que a própria filha dele, esse alguém era o filho.
...Nate começou a falar e as coisas que disse a assustaram mais que qualquer retaliação, curiosamente. Tudo o que ele dizia parecia tão surreal – desejado, sim, mas algo que ficaria apenas no desejo e jamais viria a tornar-se algo mais – e tão ousado, algo inesperado, de certo modo. Desde pequena havia cogitado aquilo, mas nunca tomara nenhuma iniciativa. E agora Nate estava ali, explicando a ela seu plano simples e possível, oferecendo a ela a chance de escapar de tudo. A chance de fugir.
...Ele terminou sua fala e Sierra o olhou nos olhos, os azuis dela que remetiam à água de lagos congelados contra o castanho terroso e glacial do irmão, e por um momento ficou sem reação. Era difícil explicar como se sentia, mas em palavras simples: era bom demais para ser verdade. Mesmo assim, uma pontinha de esperança surgiu dentro dela, a expectativa de uma realidade menos trágica e traumática, a oportunidade de ser uma garota normal ao lado do irmão, a única família que ela possuía de verdade. Porque, apesar de sofrer por ele, não considerava Ivanov parte da família. Ele os havia ferido tanto que ela não era capaz de vê-lo e amá-lo como uma filha deveria ver e amar seu pai. Quanto aos avós, nunca chegou a conhecê-los. Desde sempre, fora apenas o pai. E agora, depois de anos de abusos e de exigências absurdas, tinha a chance de livrar-se dele.
...- Você é louco, brat, completamente louco. – Sussurrou, mas um sorriso brotou em sua face e ela esticou os braços para abraça-lo.
...Secretamente, agradecia por ter o irmão. Apesar de não serem muito melosos e de carregarem notas de ironias e sarcasmo em cada mínima conversa, era claro o carinho que sentiam um pelo outro. Mesmo com Nathan trazendo garotas diferentes todas as noites e com a estranha obsessão de Sierra por revólveres, além de sua mania em sempre procurar um lado negativo em tudo, mesmo apesar de todas as diferenças entre eles, era óbvio o quanto estavam dispostos a fazer e sacrificar um pelo outro.
...- É claro que eu topo. – Disse a ele, quando o abraço acabou. Ele parecia tão empolgado que ela quase sentia-se culpada pelo que diria a seguir. – Mas vamos modificar algumas coisas nesse seu plano.
...Ele a olhou com algo que poderia ser aborrecimento, mas deveria esperar por isso. Era o jeito dela, sempre perfeccionista e preocupada com todos os mínimos detalhes. Nate revirou os olhos e resmungou.
...- Qual é, brat? Ele não é burro. Pode ser psicótico e louco, mas não é burro. – Disse, referindo-se ao pai. – Se nós apenas pegarmos o dinheiro, dermos umas pancadas nos guardas e sairmos no seu carro, ele nos encontrará em menos de um minuto. Precisamos ser mais inteligentes que ele. Ele brincou conosco por toda a nossa vida, certo? Bem, chegou a hora de revidar.


Dia da fuga


...Planejou tudo em uma noite, passando para o papel todos os movimentos e revendo cada ação meticulosamente. Foram necessários mais dois dias para que arranjasse tudo o que precisariam e repassasse com o irmão cada detalhe do plano várias vezes, para ter certeza de que nada sairia fora do planejado. Mas ela sabia que alguma coisa iria dar errado. Quanto mais detalhes, mais brechas para erros. Mesmo assim, estava esperançosa e até mesmo orgulhosa de si mesma. Era um bom plano, tinha de admitir.
...Passou o dia da fuga inteiro organizando e revendo suas anotações, parecendo até paranoica. Ao vê-la roendo as unhas naquela tarde, Nathan brincou.
...- Se não relaxar, vai começar a fritar seu cérebro. O que seria muito irônico, já que você é a rainha do gelo.
...Fez uma careta para o irmão, mas ouviu seu conselho, escondeu os papéis em seu closet e desceu à cozinha para tomar um chocolate quente e aliviar um pouco a mente.
...O resto do dia passou torturantemente devagar. A cada hora ela olhava para o relógio, mas ainda faltava bastante tempo para começarem a agir. Depois de passar a manhã inteira andando para lá e para cá tentando entreter-se com algo, decidiu dormir um pouco, descansar para ter o máximo de forças quando chegasse a hora. Deitou-se em sua cama e puxou o edredom frio para si, juntando os joelhos e encolhendo-se, como gostava de dormir.
...Os sonhos foram os mesmos. Lobos e ursos arrancando pedaços de sua carne. Frio congelando suas lágrimas. Neve cobrindo seu cabelo. Vozes, embora, dessa vez, os avisos soassem mais urgentes. E a mulher, Quione, em seu vestido claro e com os cabelos presos em uma trança. Ela olhava sua suposta filha padecer e nem sequer movia um dedo. Olhos cinzentos e congelantes fitavam Sierra caída na neve, as pernas tortas e quebradas, o sangue vermelho escuro encharcando a neve ao seu redor. Gota após gota, floco após floco. Enterrada, soterrada, perdida. Morta.
...Acordou tremendo de frio. O edredom já não a cobria mais e uma brisa fria invadia o quarto, entrando pela porta aberta da varanda. Pela escuridão lá fora, já havia anoitecido há horas. Procurou um relógio e viu que já passava das quatro da manhã. Mal podia acreditar que dormira por tanto tempo. Estava quase na hora.
...Tomou um banho quente, notando que, pela primeira vez em semanas, sentira frio. Talvez eu esteja voltando ao normal, pensou, enrolando-se na toalha e torcendo o cabelo. Vestiu uma meia calça grossa e uma saia bordô, camisa de lã cinza e coturnos pretos. Penteou os cabelos negros e deixou-os caídos sobre os ombros para secarem.
...Poucos minutos depois, enquanto revirava uma das mochilas que havia preparado, viu a garota passando pelo corredor, muito pouco vestida, em direção à saída. Por um segundo, teve vontade de esganar Nathan, enrolar suas mãos em torno do pescoço dele e apertar até que ele ficasse roxo. Respirou fundo e tentou afastar aquele pensamento. Sentia-se péssima quando pensava assim e, além do mais, seu irmão não era burro o suficiente para pôr tudo a perder por causa de mais um rabo de saia.
...Mas, quando alguns minutos depois ele bateu em sua porta, não pode evitar o tom irônico, apesar de ser até bondosa ao utilizar apenas “idiota” para o que estava pensando. O irmão seguiu seu rumo e Sierra começou a seguir o dela. Deu uma última olhadela em seu quarto antes de sair, deixando tudo para trás – ou ao menos desejando deixar – ao fechar a porta. Deveria esperar um pouco e depois descer até o carro de Nate, mas havia uma coisa – algo que nem Nathan sabia – que ela precisava fazer primeiro. Desviou alguns corredores até chegar ao quarto do pai, vazio, agora que ele viajava a negócios.
...Abriu a porta com certa solenidade: nunca tivera permissão para entrar ali antes. Agora, não precisava de permissão alguma. O quarto de Ivanov era tão comum que chegava a doer nela, realmente apenas um lugar para dormir. Grande como os dos filhos, mas com pouca mobília e quase nada nas paredes claras, que remetiam a um hospital. Mas numa estante no canto do quarto, algo lhe chamou a atenção. Em meio a livros gigantes e sem graça, uma capa marrom e puída a atraiu. Andou até lá com uma das mochilas pendurada em um braço e puxou o livro velho. Era sobre mitologia grega e parecia ter sido bastante usado pelo estado em que se encontrava. Folheou as páginas e viu de relance ilustrações sobre os deuses gregos, Hefesto trabalhando em sua forja, Apolo com um arco nas mãos, Deméter fazendo árvores crescerem. Mais para o fim, amontoados em cinco páginas, um breve resumo falava sobre os deuses menores, mas nenhum deles possuía ilustração ou algo do tipo. Vários nomes destacados em negrito eram comentados ali, Nêmesis vingativa, Hécate feiticeira, Niké vitoriosa. Mas um nome destacava-se entre os demais, pois, ao redor dele, havia várias anotações na letra de Ivan.
...Quione.
...As pernas de Sierra bambearam e uma lágrima escorreu pelo rosto. Fechou os olhos e evitou pensar naquilo, lembrando a si mesma que precisava apressar-se. De um bolso externo da mochila tirou o envelope de papel e colocou-o na página com o nome de Quione. Pensou que o pai logo encontraria aquilo e era exatamente isso o que ela queria. Foi difícil para ela escrever aquela carta, detalhando suas decepções e medos, mostrando seu lado mais vulnerável ao pai que não merecia conhecê-la tanto assim. Mas sentia que aquilo era necessário. Ele precisava saber do inferno que ela passava desde que saiu da floresta na qual ele a colocou. Precisava saber o quanto suas ações a destruíram.
...- Filho da mãe. – Sussurrou, colocando o livro de volta na prateleira.
...Sentia raiva de si mesma pelo que havia feito. Estava tudo tão confuso. Às vezes sentia-se incapaz de sentir algo além de ódio pelo pai, mas em outras se sentia como uma refém dele, preocupada demais com quem nunca se preocupou de verdade com ela. Estava com tanta raiva que puxou três livros da prateleira e os jogou no chão, surpresa com o quanto aquilo a fazia sentir-se bem. Um sorriso malignou brotou em sua face quando a ideia surgiu. Reuniu suas forças e puxou mais e mais livros, até que passou a forçar a própria estante, derrubando-a no chão. Todos os livros caíram e fizeram o maior estardalhaço. Puxou a roupa de cama e também o colchão, jogando-os um para cada lado. Foi até o closet e jogou grande parte das roupas no chão, rasgando as que conseguia e estragando a maior parte delas. Chutou as divisórias do closet até quebra-las, e depois, com o auxilio de um sapato social, bateu no espelho até quebrá-lo. Pegou um caco do espelho, depois de enrolar um pano na mão, e começou a riscar as paredes do quarto e a madeira da cama. Cortou as cortinas e torceu os sapatos até danificar o revestimento de couro.
...Depois, apoiou sua mochila no ombro e olhou para o quarto destruído uma última vez antes de partir. Percorreu os corredores animada, agarrou a outra mochila, desceu as escadas de dois em dois degraus e, quando saiu da casa e correu para o carro, Nate havia dado cabo do último guarda. Entregou a ele uma das mochilas que carregava e continuou correndo até o carro. Jogou-se no banco do passageiro e fechou a porta o mais rápido que pode. Antes que pudesse prender o cinto de segurança, Nathan já havia dado a partida.


-----------------x-----------------


...Chegaram ao aeroporto vinte minutos depois. Faltavam minutos para o amanhecer, mas um avião acabava de decolar quando eles compraram duas passagens para Nova York. Sierra fez questão de encarar bastante as câmeras de segurança.
...Depois de comprarem as passagens, ambos trocaram olhares, indicando que deveriam começar. Foram para os banheiros e, depois de entrar, Sierra esperou que outras pessoas aparecessem. Demorou cerca de vinte minutos até que uma garota com o mesmo estereótipo dela entrasse, vestindo calça jeans escura, botas marrons e várias camadas de agasalhos. Usava óculos escuros e o cabelo preto estava preso em um coque mal feito. Sierra aproximou-se da garota, ficando ao lado dela na bancada e olhando-se no espelho. Mexeu no cabelo ainda úmido e apoiou-se na pia, vez ou outra olhando para a outra menina.
...- Não jogo nesse time, só pra deixar claro. – A garota disse, assustando Sierra.
...Um sorriso nervoso lhe escapou e ela colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, enquanto a garota retocava seu batom vermelho e a olhava de canto de olho.
- Ah, não, eu também não. – Explicou-se um pouco envergonhada. Tanto planejamento para ser impedida pela timidez. Não podia deixar aquilo acontecer, precisava tomar uma atitude. Você lutou com lobos garota, pode superar isso, disse a si mesma. – Mas por que não joga no meu? – Sugeriu, segurando o pulso da outra.
...A morena franziu as sobrancelhas e tentou soltar-se, mas Sierra segurava com força o pulso dela. Parecia prestes a gritar, por isso Sierra apressou-se.
...- Três mil euros. Em dinheiro. E tudo o que você precisa fazer é usar minhas roupas e entrar no voo para NY. – Disse confiante.
...O olhar da outra mudou, o interesse quase palpável. Nada como dinheiro para motivar alguém. Sierra soltou-a e esperou uma resposta.
...- E se eu não quiser ir para Nova York?
...- Você sai do voo. – Respondeu. – Vamos logo, não tenho o dia todo.
...Alguns segundos se passaram até que ela, por fim, aceitou. Com um sorriso, Sierra começou a despir-se, tirando a camisa e as botas. A outra levou um segundo a mais para começar a fazer o mesmo. Minutos depois, Sierra vestia as roupas da outra garota e calçava suas botas, por sorte, do mesmo tamanho que ela usava. Pegou o batom da outra sem cerimônia e passou em si, caprichando. Depois pegou os óculos e prendeu os cabelos em um coque também, enquanto a outra molhava um pouco suas madeixas para que ficassem parecidas com as de Sierra. O excesso de agasalhos a fazia sentir-se claustrofóbica, mas ignorou isso por um momento.
...Quando estavam ambas prontas, Sierra pegou três maços de dinheiro na mochila, assim como o passaporte, e entregou à garota.
...- Saiba que, se tentar me enganar e fugir com o dinheiro, uma pistola abrirá caminho pela sua testa. – Ameaçou, segurando as notas um pouco mais. – Espere. – Disse, quando a garota virou-se para sair.
...Pegou o celular e discou o número de Nathan. Sabia que era imprudente andar com aquilo, mas era exatamente por isso que estava fazendo. O irmão atendeu no segundo toque.
...- Estou pronta. – Anunciou, olhando de relance para a garota.
...- É, eu também. – Ele disse, mas parecia irritado. Depois sussurrou: - Da próxima vez eu fico no banheiro feminino. Esse cara é um saco.
...Ela permitiu-se sorrir.
...- Tudo bem. Posso mandá-la?
...- Sim, vou mandá-lo também.
...- Boa sorte, brat. Lembre-se de que não nos conhecemos.
...- Boa sorte sestra. Nunca ouvi falar de você.
...E desligou. Ela virou-se para a garota.
...- Vá. Um garoto sairá do banheiro masculino, vocês devem ficar juntos, como se fossem irmãos. E vamos trocar nossas bolsas agora.
...Trocaram os conteúdos das bolsas – inclusive o celular de Sierra – e então a garota apoiou a mochila de Sierra nos ombros. Ela olhou para Sierra uma última vez antes de dar meia volta e sair dali, andando com tanta confiança que Sierra perguntou-se se era a primeira vez que ela fazia aquilo.
...Alguns minutos passaram enquanto ela encarava as paredes do banheiro antes de finalmente sair. Tentando parecer o mais normal possível, comprou uma nova passagem aérea – dessa vez para Los Angeles – e sentou em uma das cadeiras de espera: o voo partiria em quinze minutos. Disfarçadamente, procurou por Nathan entre as pessoas que começavam a aglomerar-se, mas não o encontrou.
...Os quinze minutos seguintes arrastaram-se, como que para torturá-la. Não ousava pensar se o plano havia funcionado ou não, apenas torcia para que sim. Preocupar-se com aquilo naquele momento não traria nenhum benefício e ela não podia deixar-se levar. Não agora. Ouviu o anúncio de que os passageiros do voo com destino a LA deveriam dirigir-se ao terminal. Suspirando, levantou-se e caminhou até lá, um pouco nervosa por não ter visto o irmão. Uma fila mediana já havia se formado e Sierra foi para o último lugar, mas logo outros passageiros postaram-se atrás dela. A cada pessoa que entrava no avião, sentia-se mais angustiada. Tudo o que podia fazer era torcer para que nada houvesse dado errado.
...Passou pela aeromoça que verificou seu passaporte – falso, que havia comprado no dia anterior – e depois de ter a bolsa revistada, adentrou na aeronave. Sentou-se no assento da janela, deixando a bolsa sobre o assento ao seu lado, e tirou os óculos, sentindo-se aliviada. Havia passado. Agora estava um passo mais perto da liberdade.
...- Não acredito que você vai dormir agora.
...A voz do irmão a fez arregalar os olhos, um sorriso gigantesco surgindo em seu rosto. Ele sentou-se ao seu lado, depois de colocar a bolsa dela no bagageiro acima deles, e segurou a mão dela.
...- Nós conseguimos. – Ela sussurrou, eufórica.


Um ano antes


...Combinou de encontrar-se com Nate em um café perto da ponte Vincent Thomas.
...Não que não gostasse do hotel, ela até gostava, mas não conseguia suportar ficar lá mais um minuto sequer. O que, como quase tudo na vida dela, não fazia muito sentido. Na tarde passada, quando fizeram o check-in, ela sentia-se bastante satisfeita com o lugar. Por fora não se parecia com as construções de designes modernos às quais estava acostumada, pelo contrário, remetia a décadas passadas e agradáveis, sem perder, contudo, o charme. Por dentro, era ainda mais bonito. Lembrava muito uma casa, não como a que ela havia vivido, fria e impessoal, mas como a que via em filmes: calorosa, aconchegante, acolhedora.
...Acompanhada do irmão, dirigiu-se até a recepção, onde uma mulher morena e bronzeada beirando os quarenta anos sorria para os recém-chegados. Sierra apoiou os cotovelos no balcão e respondeu ao sorriso, colocando depois uma mecha do cabelo atrás da orelha.
...- Boa tarde... – Ficou na ponta dos pés para poder ler o crachá que a mulher usava. – Sarah. – Disse, tentando ao máximo amenizar o sotaque russo. – Um quarto para dois, com camas separadas, por favor.
...Sarah sorriu para ela e desviou os olhos para um ponto atrás de Sierra, provavelmente Nathan. Digitou algumas coisas no computador a sua frente e depois olhou para Sierra.
...- Está esfriando, não? – Sierra forçou-se a sorrir, apesar de discordar completamente dela. Mal estava suportando aquela temperatura, que não passava dos 18°C. – Quarto para dois... Ah, temos um! – Exclamou, sorrindo novamente. Sierra perguntou-se se ela sorria naturalmente ou se era obrigada a fazer aquilo. Sarah olhou para ela novamente e apertou os olhos. – O check-in é em nome do seu parceiro?
...Mais uma vez, forçou-se a sorrir. Previra que isso aconteceria, sua aparência realmente não era de nenhum maior de idade, diferente de Nate, que com todos aqueles músculos e aquela barba por fazer passava facilmente por alguém com mais de vinte e um anos. Mas estava preparada. Antes que o irmão reagisse, Sierra vasculhou sua bolsa e puxou os documentos falsos. Neles, a garota era nativa de São Petersburgo e uns bons anos mais velha.
...- Na verdade, é no meu. Agatha Udinov. – Entregou a ela os documentos, sorrindo de lado. – Todo mundo diz que pareço ser mais nova. Acho que é verdade, não é?
...A mulher desculpou-se várias vezes e, depois de preencher os dados do registro, entregou a ela a chave do quarto. Sierra pagou a diária antecipadamente, apenas uma, pois não pretendiam passar mais de um dia ali. Como carregavam apenas suas mochilas, dispensou a ajuda de um dos funcionários.
...- Tenham uma boa estadia. E mais uma vez: sinto muito. – Sarah disse, seu sorriso murchando um pouco, enquanto o de Sierra crescia.
...Quando entram no elevador, Nate a cutucou.
...- Agatha Udinov? – Ele riu. – Sinceramente, sua criatividade é uma merda, sestra.
...- Ah, cale a boca, Nate. – Mas também riu.


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...Agora, menos de vinte horas depois, quase tudo a repelia. Talvez não fosse o hotel em si, mas o medo de serem encontrados. Ou talvez tenha sido o fato de que, depois de ligar o ar condicionado na menor temperatura possível e deitar-se na cama macia e confortável, tenha tido pesadelos novamente, mas diferentes dos anteriores.  
...Caminhava pela neve sem notar que uma horda de animais selvagens a seguia. Raposas, castores, texugos, lontras e arminhos a seguiam pela direita enquanto tigres, linces, alces, leopardos siberianos e ursos polares a guardavam pela esquerda. Falcões, corujas e águias protegiam seu espaço aéreo e, à sua frente, como batedores, estavam um urso pardo e três lobos. Passavam entre abetos e pinheiros, bétulas e lariços, e os animais acompanhavam-na como guardas, seguranças, soldados. Tinha a sensação de que se algum inimigo se aproximasse, mesmo que pela direção dos animais pequenos, estes lutariam bravamente para protegê-la.
...Mas o que mais a assustava eram os que estavam à frente. Depois de tantos meses tendo os mesmos pesadelos, Sierra reconheceria aqueles quatro animais em qualquer lugar. Continuou sua marcha, à espera do ataque deles, mas isso não aconteceu. Eles apenas seguiam em frente explorando o terreno e liderando o grupo, sequer notando a presença da assassina deles ali. Ela não conseguia entender.
...Então eles pararam subitamente, e todos os outros pararam com eles. As aves que cuidavam do céu desceram e pousaram em árvores próximas, mas sem perder a postura de sentinela. Sierra olhou para os lados e viu todos aqueles seres, muitos dos quais possuíam uma relação de predador e presa, aproximavam-se dela e sentavam-se sobre as patas traseiras, com exceção dos arminhos que se enroscavam nas pernas dela, roçando as pelagens macias em sua canela. Sorriu brevemente e logo voltou sua atenção para a frente, procurando o motivo da parada.
...Ela estava ali. Com seu vestido translúcido e olhos glaciais, parecendo não ter mais que vinte e cinco anos. Quione a olhava com um sorriso no rosto, mas Sierra duvidava muito que ela estivesse alegre. Alegria parecia ser algo que Quione jamais sentiria.
...- Por que diabos você está aqui? Por que sempre aparece nos meus sonhos? – Sierra perguntou sem rodeios, cruzando os braços.
...A mulher não pareceu surpresa. Aproximou-se dos lobos que estavam na dianteira, e estes rosnaram para ela, impedindo seu avanço. Sierra surpreendeu-se com aquele ato, mesmo que fosse apenas o feito de um lobo já morto e em um sonho. Para ela, deixar uma louca que se intitulava deusa da neve aproximar-se de Sierra era exatamente o que os lobos fariam. Mas, ao invés disso, eles a protegeram. Por sua cabeça passou o breve pensamento de que talvez aqueles animais não fossem tão maus quanto ela pensava que eram, o que apenas fez com que ela se sentisse culpada por tê-los matado.
...Quione riu alto.
...- Ah, querido, você é mesmo fiel, não? – Ao ouvirem a voz dela, os animais abaixaram suas orelhas em sinal de rendição. A mulher afagou a cabeça de um dos lobos e depois afagou a dos outros. O urso aproximou-se e ela coçou atrás de uma de suas orelhas. – E você, hein? É tão fiel quanto seus companheiros, não?
...Sierra revoltou-se com aquilo. Não bastava infestar a mente dela com pesadelos em que aqueles quatro animais a devoravam, agora, na primeira vez em que eles demonstravam querer protege-la ao invés de mata-la, Quione aparecia e os tratava como seus animaizinhos de estimação.
...- Ei, pare com isso! – Disse, com raiva na voz. – Largue meus animais agora!
...Quione lançou-lhe um olhar mortalmente gélido.
...- Seus animais? – Ela repetiu, o tom levemente debochado. – Só porque você os matou eles passaram a ser seus?
...O toque ácido em sua fala atingiu Sierra em cheio. Ela desviou os olhos de Quione para os animais à sua frente, passando depois a observar os que estavam à sua volta, inclusive as aves nas árvores e os arminhos a seus pés. Conteve as lágrimas, mas queria derramá-las. Quione provavelmente percebeu, pois logo em seguida pronunciou-se novamente.
...- Oh, não se preocupe. Eu não a culpo pelo que aconteceu. Esses danadinhos sabem como aterrorizar as pessoas. – Ela piscou para Sierra, como se estivessem compartilhando um segredo. – Você não deve temê-los, Sierra, deve controlá-los. Todos os animais pertencentes ao frio, ao gelo e à neve também pertencem a você. Eles lhe devem obediência, mas você não a terá se não a merecer.
...Abriu caminho por entre os animais até aproximar-se da garota. Riu para os arminhos e piscou para os animais pequenos. Uma lebre branca correu até a mulher e Sierra pensou por um momento que aquilo se parecia muito com Branca de Neve. Detestava tudo aquilo, a aparição repentina, a acusação, a pose de boazinha que Quione tinha. Sentia-se enojada, na verdade. Tinha um forte impulso de estapear a mulher.
...- O que nos leva a... você. – Disse depois de uma pausa dramática.
...Os olhos cinzentos dela voltaram-se incisivos para Sierra, perfurando-a impiedosamente. A temperatura caiu ainda mais e a menina começou a incomodar-se com o frio. Em um momento, os olhos de Quione passaram de alegres como o primeiro dia de neve para mortais como uma nevasca. Sua mão fechou-se em torno do pescoço da pequena lebre e fechou-se, estrangulando a pequena criatura. O animal se debatia e tentava afastar a mão de Quione com as patas, mas não obteve sucesso.
...- O que você está fazendo? – Sierra gritou, dando um passo a frente.
...Quione ergueu uma mão e foi como se uma parede invisível bloqueasse o caminho de Sierra, isolando-a. Quione inclinou um pouco a cabeça e um sorriso perverso surgiu em seus lábios.
...- Obediência, querida, obediência. – A lebre parou de se mexer e Quione largou seu corpo no chão, baixando então a mão e desfazendo a barreira invisível. – Algo que você certamente não possui. Há meses venho lhe avisado, há meses venho lhe instruindo sobre o rumo que deve seguir, mas você por acaso me obedeceu? Oh, não. Acho que estava ocupada demais ficando louca, não é mesmo? Porque seu pai foi injusto com você, não é? Ele deveria ter feito pior.
...Quione marchou de encontro à Sierra enquanto sua face mudava. De vinte e cinco, sua expressão passou para facilmente quarenta anos, com rugas de expressão e um olhar duro e férreo. Transmitia muita, muita raiva. Ela segurou o queixo de Sierra e seu toque era puro gelo, quase queimando a face da garota. Quando falou, a voz era incompatível ao corpo, rouca e grave.
...- Você está em terra de perigos e continua enrolando. Chegará a hora e que demônios piores do que imagina chegarão para matá-la. Criaturas cruéis e impiedosas que sentirão tanto prazer em matá-la quanto o que você sentiu. E você vai morrer, a menos que me escute. Pegue seu irmão e vá para o acampamento.
...Por mais que em essência suas palavras fossem um aviso, cada palavra dita por ela soou como uma ameaça. Os de Quione reluziram como gelo uma última vez antes da mulher forçar o rosto de Sierra para baixo, jogando-a na neve com uma força inacreditável.


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...Pediu um café preto com bastante açúcar e voltou para sua mesa nos fundos do estabelecimento. Durante quase o dia inteiro ficara ali, observando as pessoas e esperando por Nathan. Naquela manhã o irmão havia saído em busca de um novo carro depois que ambos concordaram que viajar de avião pelos EUA não era exatamente algo que passaria despercebido, e que viajar de ônibus pelo país era um pouco demais. Com um carro seria mais fácil, então Nathan saiu em busca de um porque, segundo ele, Sierra provavelmente escolheria “um conversível de patricinha que custa uma fortuna e não tem espeço pra nada”. Ela não concordava, mas não insistiu. Talvez precisasse de um tempo sozinha.
...Tentava não pensar no sonho que tivera, mas era uma tarefa impossível. Estava começando a cogitar a ideia de comprar remédios para não sonhar, mas temia a reação do irmão. Talvez pensasse que ela estivesse ficando louca como Ivan ou que precisasse de um médico. Por isso decidiu guardar os detalhes – na verdade, tudo – para si e agir como se estivesse perfeitamente bem. Confiava em Nate e daria a vida por ele, mas haviam coisas que nem ele deveria saber.
...Tomou um gole da bebida, a décima oitava do dia, e tamborilou os dedos no granito da mesa. Poucos segundos depois alguém puxou a outra cadeira da mesa e sentou-se sem pedir permissão. Era Nate.
...- Espero que tenha escolhido um carro bom, já que ficou o dia inteiro nisso. – Ela disse antes mesmo do irmão falar,  bebericando novamente o café, que já estava esfriando. – E eu juro que se você tiver escolhido outro Commander eu vou socar a sua cara.


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