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Aeroporto Internacional de Los Angeles

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Aeroporto Internacional de Los Angeles

Mensagem  Administração em Seg Out 24, 2011 6:10 pm



O Aeroporto Internacional de Los Angeles (em inglês: Los Angeles International Airport), também conhecido pelo seu código IATA, LAX, é o quinto aeroporto mais movimentado do mundo, em termos de passageiros, tendo movimentando cerca de 55 milhões de passageiros e 2 milhões de toneladas de carga em 2004. O Aeroporto Internacional de Los Angeles serve como escalas de vôos procedentes de outras cidades do continente americano e da Europa, cujo destino final são cidades localizadas na Ásia. O Aeroporto Internacional de Los Angeles, além disso, é também o aeroporto mais movimentado do mundo, quando se considera apenas o número de passageiros que possuem como destino final Los Angeles (e não utilizando o aeroporto como um centro de conexão para võos com destino final em outro aeroporto).
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Re: Aeroporto Internacional de Los Angeles

Mensagem  Nathan Lenski em Dom Set 28, 2014 8:11 pm


 
Nathan Lenski э Son of Khione э Level 00

Moscou, chegada à mansão após os dias em cativeiro; alguns meses até a fuga...
Passar dia após dia ainda dentro daquela casa foi torturante. Desde que viu sua irmã naquele estado, toda ferida, os cabelos desgrenhados, um cansaço estampado em seus olhos devido aos cinco sofridos dias na maldita floresta; seus planos de fuga se tornaram mais urgentes do que nunca. Confrontou o pai pela última vez assim que voltou do cativeiro.
- Ivanov, – não o chamava nunca de pai – precisamos conversar. – Ivan não disse uma palavra, adentrou na mansão rumo ao escritório. Nathan puxou a mão da irmã e ela os seguiu. Lá dentro, os móveis eram amadeirados e as almofadas de couro. Tanto Nate como Sierra não se sentaram.
- Seu miserável! Que tipo de pai – pronunciou esta palavra com deboche – é você? – Apertou os punhos quando o pai respondeu.
- Ora, moleque! Abaixe o tom de voz! Pelo visto, a surra que levou não o tornou um homem. - A ira pelo filho era perceptível. A língua russa só amplificava a ferocidade com que Ivan berrava.
- Quem é você para me dizer o que é ser homem? – Nathan foi ríspido e prosseguiu quando Ivan não se pronunciou – Ser homem não é colocar a vida dos próprios filhos em perigo! Olhe para sua filha! – Apontou, exasperado, para a irmã ao seu lado - Olhe para Sierra e me responda: por que diabos você fez isso? Já chega desse mistério todo. Não acha que merecemos respostas? Por que aceita que o odiemos? E pode acreditar, o odeio com todas as minhas forças.
- Você não sabe de nada. O que está me dizendo é uma blasfêmia! Eu protejo vocês. Isso é o que faço.
Dessa vez, Sierra é quem esbravejou:
- Proteger? Largar-me numa floresta e mandar torturarem Nate não é o que chamo de proteger. Somos seus filhos! Um pai devia amar seus filhos... por que você não pode fazer o mesmo?
- Dentro de meus princípios, é muito mais do que eu poderia fazer por vocês. E vocês me agradecerão um dia. O que faço é para o bem dos dois... querem prova de amor maior do que essa?
- Já chega! Você é maluco! Precisa se medicar. Tem que haver uma explicação para tudo isso. Essas merdas de princípios... - Nate bufou - Você é realmente maluco! De onde você tirou essas bizarrices? Olhe para você... Um terrorista habita o lugar onde deveria haver um pai. Ainda dá tempo de mudar de ideia Ivanov... Sou uma pessoa muito boa, dou segundas chances... até mesmo para você. - Coçou a cabeça, estava ficando irritado. Segurando-se para não avançar contra o pai e tirar daquela face o sorriso arrogante, olhou para cima, fazendo pedidos ao cara lá de cima. Mas Ivan apenas riu, antes de declarar:
- Não esperem que eu mude de ideia. Não preciso de perdão quando o que quero está em perfeito estado.
- Ah, eu não mereço! - Nathan esfregou o queixo, sua raiva no limiar da eclosão.
- Agora peço para que saiam. 
-  Demos outra chance para você e, como você sempre faz, a jogou na lixeira. Meus parabéns, o prêmio de melhor pai vai para você! – Sierra ironizou palavra por palavra e, antes que saísse, lançou ao pai um olhar de repúdio. Nate ia saindo, logo atrás da irmã, mas deu meia volta. 
- Já estava me esquecendo... Toma aqui o seu prêmio! – Desferiu um soco certeiro contra Ivan, que caiu no chão e o olhou ímpio. Apontando o dedo para o rosto espantado do pai, disse, seus suspiros entrecortando sua fala:
- Nunca vou te perdoar pelo que fez.
Nate, enfim, saiu. O próximo passo era sair daquele lugar, daquela vida, e viver longe daquele monstro.


E assim o fez. O plano foi traçado, só restava colocá-lo em prática.
 
 
Moscou, horas antes da grande fuga...
Nate estava sentado na lateral de sua cama, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos, juntadas, seguravam seu queixo. Estava nu, uma vez que estava acompanhado por outra de suas “atrações noturnas”. Desde que voltou do galpão, não apenas saciava seus desejos com mais frequência do que antes, como também trazia as garotas para dentro da mansão. Ia embora dali mesmo. Além disso, sua irmã sabia de suas artimanhas de todas as noites na cabana... Com exceção de Sierra, Nathan não se importava com mais nada. Aquela família estava destruída a muito tempo, afinal de contas. Bom senso para quê àquela altura do campeonato? Levantou-se e foi em direção à suas roupas, tomando o devido cuidado para não acordar a garota da noite anterior, que dormia sorrindo de satisfação. Vestiu apenas a cueca e a calça e dirigiu-se para a sacada. Apoiou as mãos no parapeito e curvando-se para frente, esticou toda a extensão de seu braço enquanto o ar frio de Moscou aderia-se a cada célula de seu corpo. Observou, ao longe, a linha fina no horizonte que sinalizava a chegada do sol. Faltam algumas horas, finalmente, para escaparmos desse inferno! Estava repassando os planos pela milionésima vez em sua cabeça, por isso não percebeu que a garota tinha acordado.
- Está frio. – Ela disse sonolenta, esperando alguma resposta. Quando não a obteve, chamou. – Nathan? Nathan?
- Ah, Tanya... – Falou, retornando para o mundo palpável – Vou fechar isso. – Ele entrou e fechou a porta que comunicava até a sacada atrás de si.
- Você não está com frio? Está sem roupas! – Ela disse um pouco curiosa e espantada.
- Não. – Ele riu. Não estava “sem roupas”, apesar de que gostaria.
Ela se pôs de joelhos sobre a cama enquanto Nate se aproximava. Ele queria mais diversão, mas não poderia atrasar de maneira nenhuma seu compromisso, caso contrário, os planos iriam por água abaixo. Colocando suas mãos entrelaçadas em volta da nuca dele, Tanya depositou um beijo longo sobre seus lábios. Sendo brevemente correspondida, mas não tanto quanto gostaria, afastou-se.
- Já entendi. Estou indo. – Ela disse assim que percebeu o olhar de Nate. Não demorou a se vestir, em minutos estava funcionando seu carro para ir embora. Nathan foi para o banho e, assim que terminou, vestiu-se e foi até o escritório de Ivanov. Antes de virar no corredor que dava para o escritório, parou em frente à porta do quarto da irmã.
- Bom dia, sestra. – Piscou para ela enquanto abria a porta.
- Bom dia, brat. Quem era aquela que acabou de sair? – Perguntou, com um olhar de quem já sabia a resposta. Nate entendia a situação da irmã: primeiramente, trazer alguém para dentro da própria casa para transar não era bem uma boa maneira de seguir o plano. Ademais, quando algo está em jogo, e há riscos, deve-se focar inteiramente nisso. Mas não era de sua natureza se negar a um pouco de entretenimento.
- É a última que trago para a mansão. Eu juro. – Gargalhou, tamanha era sua satisfação e felicidade pelo grande dia. Suas mãos estavam levantadas em rendição. De um jeito ou de outro Tanya seria a última. Afinal, depois de poucos minutos não viveriam mais ali.
- Como você é um ótimo piadista! Idiota. – Riu com deboche, revirando os olhos.
Em demonstração de carinho, caminhou até a irmã e a apertou entre os braços, propositalmente bagunçando os cabelos da irmã. 
Nathan seguiu para o escritório de Ivanov, onde o mesmo não se encontrava, conforme era previsto. Morar naquela casa por tanto tempo teve suas vantagens: era fácil para Nate descobrir informações sobre compromissos do pai; também não foi difícil descobrir a sequência de números que abriam o único cofre daquele cômodo. Afastando um quadro velho pendurado em uma das paredes, desbloqueou o cacifo atrás dele escondido e pegou todo o dinheiro que ali estavam. Colocando os maços num saco, estimou haver cerca de seiscentos mil dólares. Não precisaria de tudo isso, mas Nate fez questão de não deixar uma migalha para o pai, sem dó nem piedade.
Bateu à porta do quarto de Sierra, dando-lhe o sinal para ela recolhesse as poucas bagagens que levariam. Depois de ouvir um "Tudo bem, já vou!", seguiu até a entrada da casa e certificou-se de que não seriam atrapalhados, observando os dois seguranças que vigiavam os portões da entrada.
O próximo passo era tirá-los de lá.
Caminhando a passos furtivos, agarrou um dos capangas por trás e sufocou-o até que o mesmo estivesse inconsciente.
O próximo veio em sua direção. Nate o reconheceu de treinos que teve há tempos atrás.  Seria um duelo difícil, conforme se lembrava.
E foi.
O vigia esperou o primeiro ataque, um soco que veio de Nathan. Desviou do golpe com facilidade e foi sua vez de dar o próximo. Acertou o abdome de Nate, que se curvou com a pancada.
- O que você está fazendo? Seu pai sabe disso? – O guarda perguntou, desconfiado.
- O que você imagina que eu esteja fazendo? Acha mesmo que ele sabe?
O guarda tentou imobilizar Nate, que foi mais rápido, atingindo o capanga no queixo.
- Desculpe-me, Nathan, não posso te deixar sair. Ordens de seu pai.
Antes que o valentão pegasse o celular, Nathan o chutou aplicando-lhe uma cotovelada em seguida. Com a mão esquerda, alcançou o pescoço do guarda.
- Não é você quem vai me impedir de sair. – Olhou para o cara a sua frente e riu, antes de agredi-lo, com o braço direito, arrancando sangue. O guarda pareceu nervoso e Nate não parou. Rapidamente imobilizou o vigia, cujo pescoço estava aos poucos sendo sufocado. Antes que aplicasse o golpe, Nate proferiu. – Um: sempre ganhei de você nas nossas lutas; e dois: manda um recado para Ivanov. Diga a ele que Sierra e eu mandamos lembranças. – Firmou o braço em volta do pescoço do capanga, e este caiu no chão.
Logo depois, seguiu até o Jeep, avistando, a alguns metros, Sierra carregando duas mochilas, descendo as escadas em sua direção. Ela entregou uma delas para Nate e entrou no carro. Ele também entrou e, dando a partida no carro, seguiu até o aeroporto.
 
 
Estados Unidos da América, um ano até a ida ao acampamento...
Brat, chegamos... Estamos na América.
Incessantes cutucadas vindas de Sierra o despertaram. Nate acabou pegando no sono durante todo o percurso aéreo. A viagem, bastante exaustiva, era o marco inicial para uma nova vida, na qual apenas Nathan e Sierra regeriam suas próprias regras. Acordado, mas sem abrir os olhos, apreciou as palavras da irmã. Ao passo que o avião pousava, nas caixas de som a voz do piloto informava o destino: Aeroporto Internacional de Los Angeles. 
- Pronta sestra? – Abriu um sorriso para a irmã ao seu lado. 


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Última edição por Nathan Lenski em Ter Out 07, 2014 12:16 am, editado 6 vez(es)
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Re: Aeroporto Internacional de Los Angeles

Mensagem  Sierra Lenski em Seg Out 06, 2014 5:24 am


4 dias antes da fuga

...Ela largou a bolsa bege no chão e ouviu o som das lâminas chocando-se umas contra as outras. Não nevava desde a noite passada, mas o gramado ainda estava coberto por uma grossa camada de neve, o que, como quase tudo, a lembrava do que havia passado naquela floresta. Detestava relembrar-se, mas não era como se isso estivesse sob seu controle: as lembranças apenas vinham, súbitas e dolorosas, motivadas ora por sons ora por coisas que ela via, e tudo o que podia fazer era suportá-las até concentrar-se em algo diferente.
...Por isso estava ali, nos fundos da propriedade, depois de ter roubado um bom punhado de facas de arremesso do arsenal do pai. Precisava retomar sua vida e não via melhor modo que voltando a treinar, dessa vez sozinha, sem nenhum dos brutamontes do pai para fazer relatórios sobre seu progresso ou algo do tipo. Apenas treinando sua pontaria, como teria feito outrora, caso nada demais houvesse acontecido. Apenas seguindo a rotina.
...Ou quase. Sair por aí com roupas leves no outono russo não era exatamente rotina, mas era outra coisa que Sierra não podia mudar. Sempre que colocava mais roupas sentia-se enclausurada e claustrofóbica, além de começar a suar. Portanto, tinha de se contentar em sair por aí como uma personagem de quadrinhos, um mutante com a capacidade super útil de resistir a baixas temperaturas. Incrível.
Afastou os devaneios rapidamente, curvando-se e abrindo a bolsa. Pegou três facas pequenas com um furo circular na ponta do cabo onde ela podia encaixar alguns dedos e, depois de girar uma delas no dedo indicador, segurou-a como que para esfaquear alguém. Posicionou a perna esquerda um pouco à frente e mirou uma árvore a poucos metros – cinco, no máximo – enquanto inspirava lentamente, focando o tronco da árvore e tentando calcular quantas voltas a faca daria e pensando se aquela distância seria suficiente.
...Não foi. A primeira faca bateu contra o tronco e caiu na neve, sem ao menos riscar a árvore. Praguejando, a garota pegou a segunda faca e posicionou-se novamente, dessa vez colocando um pouco mais de força na arma, mas, mesmo assim, não foi o suficiente. Pelo que notou, a faca fazia meia volta a cada 1,70 metro, o que era insuficiente para que chegasse ao alvo com a ponta. Teria que mudar o modo como estava lançando. Pegou a terceira faca pela lâmina, dessa vez lançando-a assim, “ao contrário”.
...Conseguiu. A faca cravou-se na madeira, não muito, mas o suficiente para que não caísse na neve. Com um pequeno sorriso de satisfação, Sierra pegou outras facas da bolsa, dessa vez maiores e mais pesadas, e pôs-se a arremessá-las também. Levou certo tempo até adquirir o ritmo de cada exemplar, mas logo estava lançando-as e crivando a madeira tantas vezes que quase não conseguia mais vê-la.
...O braço já estava dolorido quando resolveu tentar com a mão canhota, mudando a perna de posição e segurando uma faca pequena pelo cabo. Sentia-a mais pesada na mão esquerda que na direita e previu que não acertaria o alvo com tanta facilidade, mas mesmo assim continuou como fez das outras vezes. Sequer acertou a árvore: a faca cruzou os limites do quintal e adentrou o boque, desviando cerca de meio metro da árvore que deveria ter acertado. Continuou a lançar, mas teve tanto sucesso quanto da primeira vez. Entretanto, recusava-se, por puro orgulho, a sair dali enquanto não cravasse uma faca naquela maldita árvore lançando com a mão esquerda.
...Logo as facas pequenas acabaram e então ela passou para as médias, lançando todas com tanta força que chegava a surpreender-se consigo mesma. Demorou cerca de uma hora até que todas as facas acabassem, sem que ela houvesse conseguido o que almejava. Caminhou a passos duros até a árvore e pegou todas as facas cravadas nela, e, depois, voltou para seu posto pronta para começar novamente. Ficaria ali até o anoitecer se necessário fosse. Meia hora passou-se até que aquelas facas acabassem também e, dessa vez, ela não tinha mais nenhuma para lançar: todas, absolutamente todas, haviam passado dos limites do quintal.
...- Ah, maravilha. – Sussurrou para si mesma ao se dar conta de que teria que ir recolhê-las.
...A contragosto puxou a alça da bolsa e apoiou-a sobre o ombro direito, praguejando enquanto dirigia-se às árvores cobertas de neve. Belo local para treinar arremesso, idiota, pensou consigo mesma enquanto colocava um galho de lado para que pudesse passar. Logo nas primeiras fileiras de árvores encontrou um punhado de facas e guardou-as na bolsa, logo em seguida adentrando mais no bosque enquanto vociferava sobre a força - agora inoportuna - que demonstrara ao lançar as malditas facas.
...Andou cerca de trinta metros antes de cansar-se daquilo: quem se importaria se algumas facas estavam faltando? Havia recolhido a maior parte delas e estava cansada de brincar de busca ao tesouro, portanto, deu meia volta e começou a caminhar de volta para casa.
...Não andou muito antes de ouvir o primeiro uivo.
...Estacou no mesmo instante, paralisada de medo. Sentiu as mãos começarem a tremer e a respiração tornar-se ofegante antes de finalmente raciocinar: lobos. Virou-se rapidamente e procurou em todas as direções possíveis a origem do som, mas não havia nada que pudesse ver. Rapidamente abriu a bolsa e pegou um par de facas grandes, largando então a bolsa no chão e agachando-se em posição defensiva.
...Outro uivo soou ao longe, desta vez, sendo respondido por mais dois.
...Girou com tanta rapidez que os cabelos açoitaram o rosto, fazendo a face arder. O coração estava tão acelerado que chegava a doer. Tentou evitar, mas as lembranças voltaram com tanta violência que a fizeram derramar um punhado de lágrimas. Arquejou e deixou o ar entrar pela boca, sentindo-se tão aterrorizada que mal conseguia pensar. Passaram-se alguns segundos antes que Sierra retomasse o controle de seus pensamentos e, então, começasse a analisar suas possibilidades e pensar no que fazer. Não havia sinal dos lobos em lugar algum e ela não podia ficar ali esperando-os chegar, entregando-se de bandeja. Não estava a mais que oitenta metros de casa, tinha certeza disso. Poderia correr, tinha um bom físico.
...Foi isso o que fez.
...Correu de volta para o quintal, quebrando alguns galhos das árvores do bosque com o próprio corpo e sentindo a pele arder. Segurava uma faca em cada mão com as lâminas apontadas para baixo enquanto movimentava-se o mais rápido que conseguia. Percorreu menos de dez metros antes que um vulto surgisse da esquerda e se lançasse contra ela, jogando-a violentamente contra o chão coberto de neve. Sierra rolou no chão e perdeu uma das facas, parando de bruços aos pés de um pinheiro mediano. Estava zonza e demorou alguns segundos antes de colocar-se de quatro, procurando apoio para levantar-se. Ouviu um rosnado muito próximo e, o mais rápido que pode, virou a cabeça na direção a qual o som vinha.
...O que viu não melhorou em nada seu dia.
...Um lobo moribundo a encarava com os dentes à mostra, uma baba sanguinolenta escorrendo por entre as presas enquanto os olhos completamente brancos a encaravam com nada mais que selvageria. Outros dois apareceram atrás dele e todos tinham o pelo encharcado com sangue negro, mas o primeiro, o que parecia ser o alfa da matilha, estava muito mais ferido que os outros, as lacerações visivelmente profundas e, em certos pontos, podia-se ver a carne pútrida do animal. Eles rosnavam para ela em uníssono e quando o horror da recordação estampou-se em seus olhos, eles pararam.
...Sierra reconhecia aqueles lobos porque ela os havia matado.
...- Não, não... – Sussurrou debilmente, a voz decaindo e transformando-se em um fiapo inaudível.
...As lágrimas de desespero escorreram com tanta força que ela foi incapaz de controlá-las. O pânico dominou cada minúscula parte de seu corpo, cada pensamento voltou-se para aquele horror impossível que vivenciava. Desajeitadamente arrastou-se na neve para longe dos monstros, agora, silenciosos. Eles a observaram e rosnaram, mas não fizeram menção alguma de avançar contra ela e isso a deu confiança o suficiente para pôr-se de joelhos e levantar novamente, afastando-se a passos bruscos e arrastando os pés; mal conseguia mover-se quanto mais pensar com clareza.
...Os calcanhares toparam com grossas raízes e ela quase caiu, mas equilibrou-se a tempo e, por instinto, virou-se para ver o que era. Quando voltou sua atenção para os lobos, não havia nada. Apenas a neve branca e o crepúsculo aproximando-se no céu. Suspirou, mas nem de longe era alívio o que sentia. Só queria sair dali, sair o mais rápido possível.
...Sequer havia notado que segurava uma das facas, mas os dedos esbranquiçados e doloridos a lembraram disso rapidamente. Deu meia volta e recomeçou a corrida para casa, a faca ainda segura firmemente na mão direita. Não faltavam mais que vinte metros para sair do bosque e depois disso, cerca de cinquenta para chegar à porta dos fundos. Podia percorrer esse caminho, sabia que sim.
...E correu.
...Sierra Lenski nunca correu com tanto desespero quanto naquele momento, nem mesmo enquanto estava na floresta. Ali, naquele instante, estava sendo assombrada por todos os seus fantasmas, os fantasmas que ela mesma havia criado, afinal, ela havia matado aqueles animais sem sequer pensar. Dizer que fez para salvar-se não era desculpa o suficiente, pelo menos não para ela. Havia matado, independente de ter sido um animal que a queria morta, havia tirado uma vida. Isso a deixava um passo mais próxima de se tornar alguém como o pai e essa possibilidade a matava de angústia. E agora, enquanto corria desesperadamente, a sensação de culpa a preenchia inconscientemente.
...Faltavam menos de cinco metros quando parou de correr novamente, não por ter sido interrompida, mas pelo que viu. Diante dos seus olhos os pinheiros transmutavam-se em árvores maiores e mais antigas, muito mais frias e imponentes. Sentia-se no interior de uma floresta milenar, e não num bosque de alguns anos. Alguns troncos eram mais largos que ela e muitas das árvores atingiam com facilidade a faixa de cinquenta metros de altura.
...Isso é uma ilusão, disse a si mesma, porque precisava que fosse: não saberia o que fazer se o que via fosse a verdade. Logo milhões de dúvidas cercaram seus pensamentos, atormentando-a. E se ainda estivesse na Sibéria, afinal? E se tudo – a fuga, o avião, o reencontro com Nate, o confronto com pai, tudo – tivesse sido apenas um sonho e ela finalmente houvesse despertado? E se ainda estivesse naquele inferno congelado, isolada, sem nada nem ninguém? E Nathan? Teria sido verdade as coisas que vira nele, os machucados, o sangue, a dor? Ou seria apenas um jogo de sua própria mente, tentando reconfortá-la morbidamente ao supor que o irmão sofria tanto quanto ela?
...Esticou o braço lentamente, inclinando um pouco a cabeça e com os lábios entreabertos demonstrando a confusão que sentia, levou os dedos até a casca da árvore que se erguia à sua frente.  Quando os dedos roçaram na madeira fria um vento forte a atingiu, fazendo-a recolher o braço e proteger o rosto.
...Não era vento.
...Ouviu o grunhido e não precisou olhar para saber do que se tratava: ouvia a mesma coisa em todos os seus pesadelos. Duas lágrimas escorreram pela bochecha enquanto ela apertava a faca com força na mão, rendendo-se e voltando o corpo para o animal que soltava bramidos furiosos contra ela. A pelagem do urso era a mesma; a expressão faminta, também. O animal colocou-se sobre as duas patas traseiras e, para o horror da garota, havia um buraco com cerca de vinte centímetros de diâmetro na barriga do urso, pelo qual podia-se ver as árvores e a neve atrás dele.
...Arfou e sentiu a mão tremer, o corpo render-se ao medo e a adrenalina deixar de surtir efeito. Seu próprio corpo desistia dela. Quando o animal inclinou a cabeçorra e a olhou com aqueles olhos mortíferos e sanguinários, sentiu que estava mais perto da morte do que jamais esteve.
...Mas havia algo: ela não queria morrer.
...Talvez pela necessidade de manter-se viva, talvez por um lampejo de coragem e valentia, Sierra segurou a faca e a jogou com toda a força que conseguiu reunir, mirando a cabeça do urso. Não esperou para ver se acertaria ou não, virou-se novamente e pôs-se a correr.
...A cada passo as árvores oscilavam, como se uma ilusão estivesse se quebrando, e mostravam ora pinheiros jovens, ora árvores milenares. Desviou-se o melhor que pode e por uma ou duas vezes pensou que houvesse trombado em uma árvore, mas era apenas sua ilusão. Ouviu o urso rugir e soube que havia errado. Faltava pouco. Desviou de mais duas árvores e viu, menos de um metro à frente, a clareira de seu quintal. Corria a toda velocidade e faltavam poucos centímetros quando se chocou com algo invisível. Uma das árvores oscilou um segundo antes de ela passar e, onde antes era um caminho aberto, surgiu uma árvore pequena. À velocidade em que corria, o baque a parou um pouco, mas não o suficiente: metade de seu corpo ainda estava impulsionado pela corrida e ela foi lançada para frente em um movimento oblíquo, caindo nos limites do bosque e batendo a cabeça no chão.
...Arrastou-se para ao quintal, mesmo sem conseguir focar direito a visão, desesperada para se salvar. O rugido do urso ecoou mais uma vez antes de sumir e todo o zumbido e confusão de outrora deram lugar ao silêncio do quintal nevado.
Sierra arquejou, esforçando para virar o corpo para cima e depois para apoiar-se sobre os cotovelos. Agora, há alguns centímetros do bosque, ele parecia tão calmo, como se nada que ela tivesse passado nos últimos minutos pudesse ter acontecido ali. Silêncio, apenas... silêncio.
...Ela se levantou ainda assustada, entendo que tudo não passara de ilusão, algo que sua própria mente havia projetado. Nada daquilo que vira era real. Não havia nenhum lobo ou urso. Intrigou-se, então, pelo motivo que ocasionou sua queda e então notou o tornozelo machucado. Provavelmente havia tropeçado e caído por si mesma. Não era real, ela não estava em perigo. Estava segura em sua casa, o irmão ao seu alcance.
...- Nathan... – Sussurrou lembrando-se dele e desejando ardentemente procurá-lo naquele instante e ser protegida por ele. Queria fazer como havia feito tantas outras vezes, ido até ele e chorado, desabafado e então, sido consolada e mantida a salvo, seja dos treinos exaustivos ou do pai psicótico que possuía. Mas não podia. Nathan era um homem agora e Sierra uma mulher, não eram mais adolescentes assustados. Sierra deveria aprender a consolar-se por si mesma, mesmo tendo o irmão ali, pois sabia que não o teria para sempre. Nathan estava fora de cogitação.
...Perturbada e, notou, sangrando, a garota caminhou do bosque até a casa, atravessando o quintal congelado com lágrimas nos olhos e a faca ainda na mão. Aquilo não a deixaria nunca, o que havia passado sempre arrumaria um modo de assombrá-la novamente. Naquele instante, enquanto vergões vermelhos surgiam nos braços – provavelmente conseguidos durante a corrida pelo bosque – e feridas sangravam em sua cabeça, Sierra prometeu a si mesma nunca mais pisar numa floresta ou qualquer formação com mais de cinco árvores: não daria porquês para seus medos atacarem-na.
...Subiu os degraus da porta dos fundos e adentrou o recinto, sendo recebida por uma onda de calor repentina. Sentiu-se tonta e retirou a blusa de frio que usava, ficando apenas com uma regata preta, e jogou a peça no chão da cozinha mesmo. Percorreu os corredores tão amplos daquela casa e, quando um empregado deparou-se com ela e lhe perguntou o que avia acontecido, ela lhe lançou o olhar mais vazio de que era capaz, afastando-o rapidamente. Não queria compartilhar com ninguém o que havia passado, ninguém precisava saber.
...Passou em frente ao escritório do pai e a porta estava entreaberta. Parou e observou o feixe de luz escapar para o corredor, aproximando-se então. Lá dentro, o pai discutia com seus sócios, homens mal encarados e de fala ríspida, sobre negócios ou algo do tipo. Observou o pai, sentado em sua cadeira e impondo-se sobre os outros, sua voz arrogante e os gestos petulantes sobre os outros. Obviamente estava no controle. Usava roupas apropriadas para o frio, assim como todos os outros. Parada na porta, ela relembrou-se de todas as vezes em que estivera no mesmo lugar, esperando um mínimo tempo do pai para si, para que ele ficasse junto dela e eles pudessem ser pai e filha. Nunca obteve um minuto sequer.
...Uma lágrima escorreu quando ela empurrou a porta, abrindo-a totalmente e interrompendo a conversa. Todos os olhares voltaram-se para ela, mas ela só olhava para o pai, cuja expressão ela não conseguia nomear. Raiva? Provavelmente, ele sentia bastante raiva. Não se importou. A passos lentos adentrou o local, passando por entre os homens e ficando frente à escrivaninha de carvalho do pai, a faca pendendo ameaçadoramente em sua mão direita. Apoiou as mãos sobre ela e inclinou-se para ele, o olhar tão triste e vazio que sentia pena de si mesma.
...Olhou-o por alguns segundos e entreabriu os lábios, procurando pelas palavras certas.
...- Eu realmente – disse por fim, em russo – espero que um dia possa saber o motivo disso. Porque você me jogou em um inferno, pai, me jogou no meio do caos sem nada para me defender e destruiu sua própria filha. Você fez isso comigo e eu juro por tudo que é sagrado que um dia vou fazer você pagar.
...Ele levantou-se e imitou a posição dela, encarando-a cara a cara.
...- Ah, vai? – Depois se afastou, debochando. Um sorriso imbuído em desprezo surgiu em seu rosto.
...- Sim, eu vou. – Disse e lançou a faca contra ele, acertando sua mão esquerda e prendendo-a à parede. Ele gritou perplexo enquanto a olhava com incredulidade e, talvez, um pouco de medo. Seus sócios não se moveram, talvez por estarem surpresos demais ou então por não desejarem envolver-se com a filha louca de Ivanov Lenski.
...Sierra pulou a mesa e aproximou-se do pai, que segurava a mão esfaqueada inutilmente, sem força o suficiente para tomar a decisão e puxar a faca de uma vez. Sierra ficou a poucos centímetros do rosto do pai e, ao olhar naqueles olhos tão parecidos com os seus, desabou por dentro, arrependida do que fizera. Detestava admitir, mas a aceitação dele ainda lhe fazia falta, o amor, o carinho, a preocupação, ela almejava tudo isso. Suspirou e recusou-se a ceder tanto às emoções.
...- Fique longe de mim e do meu irmão. – Sussurrou, antes de dar meia volta e sair correndo do lugar.


Um ano antes de ir para o Acampamento

...Dormiu a viagem toda, acordando minutos antes de pousarem. Por instinto, procurou pelo irmão e o encontrou ao seu lado, adormecido. Se quisesse podia brincar com ele, mas não era hora para aquilo. Pela janela viu que o sol estava alto no céu, mas ela não fazia ideia de que horas eram, só sabia que detestaria aquele clima. Quente demais. Detestava calor. Em todas as muitas vezes em que fora aos EUA, ainda muito pequena, o destino era sempre a costa leste. Agora, na oeste, não fazia a mínima ideia do que fariam a seguir.
...O que era, ao mesmo tempo, perigoso e cauteloso. Perigoso, pois não sabia ao certo como deveria agir, os lugares em que deveria ir e os que deveria evitar, e cauteloso, pois caso conseguissem rastreá-los, não era aquele o destino final, de qualquer forma. Portanto, apesar de não ter certeza sobre aquilo, precisava desembarcar ali.
...Acordou o irmão assim que o avião pousou e depois de descerem, ela foi ao banheiro do aeroporto tirar os agasalhos e escovar os dentes. Quando saiu de lá e reencontrou Nate, mal pode evitar a alegria.
...- Estamos livres. – Disse, radiante.
...Nathan parecia igualmente feliz, sem demonstrar qualquer preocupação parecida com a da irmã. O sorriso cafajeste e o cabelo bagunçado já haviam conseguido algumas admiradoras, incluindo uma das aeromoças, que olhava para ele sem discrição. Sierra revirou os olhos quando o irmão retribuiu o olhar.
...- Paquere depois, Nate, precisamos arrumar um lugar pra ficar. Vamos chamar um táxi, acho que vi um hotel aqui por perto num catálogo de viagens. – Começou a liderar, segurando a bolsa e dirigindo-se ao ponto de táxi na saída do aeroporto.


Sierra Lenski; Daughter of Khione; Princess of Snow


Última edição por Sierra Lenski em Ter Out 14, 2014 8:06 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Aeroporto Internacional de Los Angeles

Mensagem  Nathan Lenski em Qui Out 09, 2014 12:40 am


 
Nathan Lenski э Son of Khione э Level 00

Moscou, dois meses após a volta de Nathan e Sierra...
Há muito tempo não treinava, muito menos pegava em uma arma. A metralhadora que antes parecia tão grotesca e mortífera, agora parecia mais maleável e complexa.  Passou mais de oito anos de sua vida treinando, então, eventualmente, teve que aprender a conviver com as armas, era um atirador. Por muitas vezes, seu ódio pelo pai beiraram à loucura. Por quantas vezes quis ir até ali, pegar qualquer arma e atirar contra Ivan? Inúmeras, também, foram as vezes em que sonhava que seu pai pedia perdão para os filhos, dizendo que estava louco e iria buscar algum tipo de tratamento, mas isso, claro, não aconteceu.  Nunca viu Sierra tão amedrontada desde que voltaram à mansão. A irmã nunca antes demonstrou tanta aversão a Ivan como agora, afinal, a fúria se tornou muito mais pessoal, para ambos.
Ainda entretido com as belezas bélicas do arsenal, não percebeu que alguém havia entrado.
- Nathan, está atrasado para os treinamentos de hoje. – Era um dos capangas do pai, com quem Nathan sempre duelou.
- Cancele-os. – Disse decididamente.
- Não podemos cancelá-los sem o consentimento de seu pai. – Proferiu. Nathan odiava obedecer às ordens e regras de Ivanov, tudo naquela casa chegava aos ouvidos de Ivan antes de tudo e de todos, e o mesmo julgava à sua maneira.
- Quer saber... Vamos treinar aqui mesmo. – Aproximando-se do homem, socou-o no nariz. Saiu do arsenal furioso: era essa a reação que tinha sempre que o pai intervinha em sua vida.
Entrou no Jeep e, após ligar a ignição, saiu das terras Lenski.
Na cidade, buscava uma vaga no estacionamento da boate. O som que vinha lá de dentro era ensurdecedor, exatamente o que ele precisava agora. Depois de estacionar, entrou na boate rumo ao bar. Pediu o drinque especial da casa, uma vodka feita de frutas e grãos. Já estava no terceiro copo quando uma garota chamou sua atenção. Ela se sentou no banco ao lado do dele e ele, pagando-lhe uma bebida, proclamou:
- Vem sempre aqui? – Puxou assunto.
- Não muito. Sabe... Meu namorado acabou de terminar comigo. – Desabafou.
- Ah, que pena. – mentiu, adorava garotas desesperadas após términos de namoro. – Que tipo de babaca terminaria com alguém tão linda como você? Tome um pouco comigo. – Entregou o copo de vodka para ela, que bebeu tudo em apenas um gole. Nathan riu.
- Obrigada. Você é muito bonito, também. – Flertou. Os dois tomaram mais alguns copos do drinque enquanto conversaram. A garota, Eris, era grega, mas morava na Rússia há dois anos, por isso era fluente no russo. – E você, está afogando algum tipo de mágoa?
- Problemas com a família, por assim dizer. Minha mãe sumiu do mapa quando eu tinha dois anos e meu pai nos trata como soldados.
- Puxa! Isso deve ser uma droga. – Pareceu ser sincera. Eris não era muito tolerante ao álcool, Nate percebeu, uma vez que depois do terceiro copo começou a falar desconcertada.
Nate respondeu um sim com a cabeça e, em seguida, perguntou-lhe sobre a Grécia, interessado em obter detalhes sobre a mitologia: - Então, de onde você vem, a crença é voltada aos deuses... – soou mais como uma pergunta.
- É. – Estranhou a súbita mudança de assunto.
- O que me diz sobre Khione? – Lembrou-se de quando Sierra foi até a cabana para contar-lhe sobre a inusitada conversa que teve com a tal deusa. Quione era mesmo sua mãe? E os estranhos poderes da irmã? Por que só se manifestaram nela, e não nele também?
- Ela é uma deusa primordial. Quione, deusa da neve. – Respondeu com estranheza e confusão.
- Minha irmã não é muito fã de ortodoxa, sabe? Ela sempre menciona Khione. – Mentiu.
- Ah. – Pareceu acreditar. – Sua irmã é do tipo que acredita ser uma semideusa? – Ela riu, enquanto perguntava. Assim que mencionou a palavra semideusa, Nathan enrugou sua testa, tentando colocar os pingos nos is. Talvez tenha algum sentido. Deuses têm poderes, Quione tem do gelo. Sierra também os tinha. Agora tudo se encaixava. Menos uma coisa: por que nada semelhante aconteceu com ele? Não porque invejasse, mas ele poderia não ser filho de Quione. A garota prosseguiu quando Nate se mostrou desligado do mundo à sua volta. – Sabe, se ela anda por aí, no frio de Moscou, com nada mais do que uma regata, estranhe... Ela está obcecada. Qualquer hora pode sofrer de hipotermia. Mas por que está me perguntando isso? – Olhou para a pista de dança. – Vamos dançar. Vem!
 Nathan paralisou, voltando sua atenção ao que Eris contou. Antes que questionasse o que ela acabara de dizer, foi puxado até a pista de dança. Eris estava completamente bêbada, esfregando-se em Nate enquanto a música tocava. – Nathan, Nathan. Na Grécia uma garota não pode se divertir como estou me divertindo agora. Com você. Os russos são tão quentes. É a vodka, tenho certeza! – Falou, atrevida, chegando mais perto do rosto dele.
- Você está muito bêbada. Não quer que eu te leve para sua casa? – Perguntou. Notavam-se segundas intenções em seu tom de voz.
- Hmm. Está me chamando para cama?
- Não precisa ser necessariamente na cama. – E beijou-a. Ela correspondeu com duas vezes mais ferocidade. Suas mãos percorreram toda a extensão dos braços de Nate, enquanto as dele guiaram-na até algum lugar vazio. Encontrando uma sala, dirigiram-se até um sofá marrom, de couro, no fundo do cômodo. Nathan sentou-se no sofá e ela subiu em seu colo, desabotoando sua camisa avidamente. Eris o beijou do pescoço ao cós da calça, abrindo o botão e o zíper. Nathan a despiu desejosamente e a segurou pela cintura, trazendo-a para mais junto de si. Roçou seus lábios por todo o busto de Eris, enquanto ela suspirava. O que aconteceu em seguida, delimitado pelo êxtase do momento, nem sequer seria lembrado no dia seguinte quando acordarem com os efeitos colaterais dos incontáveis drinques.
 
Estados Unidos da América, um ano até a ida ao acampamento...
Dois russos em território americano poderia parecer loucura, a princípio, mas não para Nathan e Sierra. O comumente território inimigo seria mais amigo do que qualquer outro lugar, depois de tudo o que sofreram. Os dois desembarcaram no aeroporto de Los Angeles, o lugar menos provável de Ivan procurar os filhos e um lugar distante o suficiente dos Continentes Europeu e Asiático. Ainda que o clima californiano naquele dia fosse considerado um tanto frio pelos americanos, os irmãos se sentiam confinados como numa estufa, muito mais para quente do que para fria. Enquanto Sierra ainda se preparava no banheiro, Nate andou pelo aeroporto em busca de algo para comer. À medida que perambulava por lá, aeromoças lançavam-lhe olhares de apreciação, e ele, claro, retribuía, adorando as fêmeas americanas. Comprou um saco de trezentos gramas de carne seca, dois sanduíches, batatas fritas e dois refrigerantes. Sentou-se numa mesa perto o suficiente do banheiro para que a irmã o veja assim que a mesma saísse, aguardando-a. Acenou quando a viu, radiante, passar pela entrada do banheiro, rumo à mesa onde Nate estava sentado. Nathan também nunca esteve tão feliz: de fato, estavam livres, mas não isentos de manter a precaução.
- Comprei isso para comermos. Se não quiser, tenho um estômago extra. – Brincou, colocando uma porção de batatas fritas na boca. - Qual o próximo passo, sestra? – Ele pergunta para irmã, que estava apta a conduzir as direções. Depois de comerem, desceram até o saguão principal pela escada-rolante. Aeromoças surgiam de todos os lados, uma delas fitou Nate descaradamente, e ele fez o mesmo, esquecendo-se do porquê estava ali. A irmã percebeu, chamando sua atenção:
- Paquere depois, Nate, precisamos arrumar um lugar pra ficar. Vamos chamar um táxi, acho que vi um hotel aqui por perto num catálogo de viagens.
Assentiu, rindo, e acompanhou a irmã. Seguiram até as portas do aeroporto, em direção aos terminais de táxi. Nathan percorreu os olhos por todo o saguão em busca de um catálogo, sem sucesso. Uma moça de, no máximo, trinta e cinco anos, segurava um e Nathan, gentilmente e, claro, charmosamente, dirigiu-se a ela:
- Olá, com licença, poderia me emprestar seu catálogo por um segundo? Eu e minha irmã não encontramos nenhum. – O sotaque russo sobressaía-se quando falava.
- Ah, podem ficar com o meu. – Sorriu, entregando o material para Nathan, que a agradeceu.
Um táxi prontamente os atendeu. Assim que nele entraram, Sierra, situada pelo catálogo em mãos, decidiu a direção a ser tomada. Hotel & Suítes Western Plus San Pedro, próximo à ponte Vincent Thomas, era o lugar onde se estabeleceriam por um breve tempo.  Passo um do plano "Vida livre" realizado com sucesso.  
 

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