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GENTE, CORRE, VENHAM AQUI!! PROPOSTA DE UMA "BRINCADEIRA" AQUI!!

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GENTE, CORRE, VENHAM AQUI!! PROPOSTA DE UMA "BRINCADEIRA" AQUI!!

Mensagem  Administração em Sab Out 01, 2011 10:12 pm

Pois bem, agora há pouco, conversando com minhas amigas (Laís Massoglia e Bianca Johnson, entre outras contas delas) e tive uma ideia de uma "brincadeira": Vocês vêm aqui, e tentam escrever uma cena, um dia, algo da vida passada do seu personagem, ou um resumo completo da mesma, mas gente, não igual nas inscrições. Pensei em tipo, uma história, mesmo. Achei que seria legal. Quem quiser venha.
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Re: GENTE, CORRE, VENHAM AQUI!! PROPOSTA DE UMA "BRINCADEIRA" AQUI!!

Mensagem  Bianca Johnson em Sab Out 01, 2011 10:29 pm


Elizabeth Sweet & Bianca Johnson

2009 - Juramento


— Elizabeth, — Dizia uma voz um tanto agradável, porém distante, como o farfalhar das folhas ao redor do lago onde ela molhava os pés. — pode me ouvir?
A garota assentiu, mesmo que não tivesse certeza de que a dona da voz pudesse ver o gesto. Não reconhecia a voz, porém, mesmo assim, sentia que confiava na pessoa a quem ela pertencia. Era uma sensação boa, porém inexplicável.
— Elizabeth, posso confiar em você? — Agora a voz parecia mais próxima. Elizabeth não conseguia falar, então, novamente, apenas assentiu. — Você deve saber quem eu sou.
— Atena. — Ela disse, sem hesitação. A mulher, Atena, tocou o ombro de Elizabeth, por trás. Mesmo que ela não soubesse que Atena estava ali, ela não se assutou. E também não se virou para ver a deusa.
— Minha filha... Você precisa protegê-la, Elizabeth. Ela é jovem demais para saber... Para entender... Porém está em risco. Pode protegê-la, Elizabeth? — A garota assentiu novamente. — Pode jurá-lo?
— Juro que protegerei sua filha.
— Ótimo, Elizabeth. Honre seu juramento. Você saberá o que fazer quando tiver que fazer. Saberá que é ela quando a coruja pousar à luz do sol poente. Você sentirá que é ela.


Elizabeth acordou, com uma sensação reconfortante envolvendo-a. Como Atena lhe dissera, ela sabia o que fazer, mesmo sem saber o porquê. Apenas pegou uma mochila qualquer e colocou suas coisas dentro, dirigindo-se à casa grande.


2010 - Chegada

A garota que chegara no colégio era, no mínimo, estranha. Tinha cabelos loiros, porém não eram claros. Parecia uma transição entre o castanho claro e o louro escuro. Tinha seus sete anos, porém era baixinha para a idade, parecendo ter cinco. Todos que a viram chegar disseram que ela parecia assustada, amedrontada. Alguns diziam que ela chegara sozinha, outros diziam que ela chegara com uma mulher já idosa, e que a garota tentara se agarrar a ela. Seu nome, pelo que diziam, era Bianca. Eles estavam certos, pelo menos quanto a isso.
Bianca Johnson não teve uma recepção das mais calorosas. Alguns garotos mais velhos já a avaliavam, como se decidissem se ela seria um possível alvo. Sua avó a deixara na entrada e partira para o hospital, onde seu avô jazia, em coma, em uma cama qualquer. Tudo o que Bianca mais queria agora era saber. Saber o que seu avô tinha, se sobreviveria. Se o veria, juntamente com avó, outra vez. Sentia-se confusa e abandonada, além de insegura. Uma voz lhe dizia que jamais se sentiria bem naquele lugar, cujas paredes brancas apenas aumentavam sua sensação de que estava vazia.
— Chegamos. — Disse a professora ao seu lado, que a levava ao seu novo quarto. — Espero que goste da escola, e de sua colega de quarto.
A mulher entregou-lhe uma chave e bateu na porta, logo depois virando-se e deixando-a sozinha. Logo depois, ouviu-se barulhos no quarto até que uma garota, também loira, abriu a porta do quarto. Ela tinha olhos azuis, e parecia um pouco mais velha que Bianca. A garota analisou a nova colega de quarto, olhando-a de cima a baixo.
— Quem é você? Não me lembro de ver você em lugar nenhum do colégio. — A garota parecia estar até mesmo na defensiva. Bianca queria apenas saber porque.
— Sou Bianca. Bianca Johnson. — Disse, com voz hesitante. A compreensão pareceu iluminar o rosto da garota, que sorriu calorosamente.
— Ah! A nova colega de quarto. Me desculpe. É que é preciso tomar cuidado com certos engraçadinhos nesse colégio. Sou Elizabeth. Sweet. Ou Liz. Pois bem, entre.
Depois de entrar, durante alguns instantes, apenas olhou em volta. O quarto tinha paredes brancas e duas camas, com dois guarda-roupas. Mas não foi exatamente isso que chamou a atenção dela, e sim a falta de roupas no guarda-roupa, e o excesso delas no chão. Elizabeth seguiu o olhar da garota.
— Não ligue para isso. Eu só estava procurando uma coisa. Suas malas vão chegar em alguns segundos, e eu não vou reclamar se você fizer bagunça.
O resto do dia correu monotonamente. As coisas de Bianca chegaram, como Elizabeth dissera, e ela agradeceu a sua avó por nunca ter deixado-a ter muitas coisas: Ela só tinha uma mala para arrumar no guarda-roupa. Mesmo assim, fez aquilo vagarosamente, como se não quisesse terminar, o que fez Elizabeth se lembrar de como era difícil arranjar amigos naquela escola, e de como Bianca não parecia querer apressar aquele momento. Mais tarde, quando Bianca foi dormir, Elizabeth pensou sobre seu sonho, apenas um ano atrás. Várias vezes nesse ano, achara ter encontrado a filha de Atena, porém não fora nenhuma delas. A garota nova, porém, não parecia ser a filha de Atena. Logo teria que arranjar um motivo para despachá-la do quarto, para que, depois, a verdadeira filha de Atena ocupasse seu lugar. Bianca não lembrava, nem de longe, uma semideusa. Não parecia o tipo que conseguiria traçar estratégias de batalhas em segundos, ver monstros, fazer cálculos matemáticos de quaisquer espécie com facilidade. Sendo assim, não servia ao seu propósito. Porém, como sempre, daria sete dias para Atena dar-lhe o sinal.
O dia seguinte, contando como primeiro dia, transcorreu normalmente. Bianca parecia não se adequar ao local, porém notava-se, sutilmente, algo de guerreiro em sua personalidade tímida e arisca. Não conversou com ninguém, apenas se reservou em seu quarto, observando a paisagem. A janela de seu quarto dava justamente para o enorme jardim, onde as crianças costumavam brincar. Nada lhe chamara a atenção, em particular. Apenas um garoto, cabelos e olhos pretos, pele branca, parecia se destacar entre os demais. Uns garotos maiores pareciam estar gritando qualquer coisa à ele, o que o deixava nervoso, e incomodava Bianca, que assistia a cena com uma vontade crescente de se meter entre eles e ajudar o tal garoto.
O segundo dia também não trouxe muita emoção. Elizabeth trocou algumas palavras com Bianca, porém esta respondeu com monossílabos. Caminharam pelo jardim, que um dia antes fora o único interesse de Bianca, que agora via que ele era realmente belo. Logo, Elizabeth foi brincar com as outras crianças, enquanto Bianca se sentava em um canto e observava tudo à sua volta.
O terceiro dia foi igualmente monótono. Bianca viu novamente o garoto do primeiro dia, correndo de alguns garotos, que esbarraram nela. Ficou ainda mais com vontade de ensinar algo para aqueles moleques.
Como era de se esperar, a personalidade arisca de Bianca incomodava Elizabeth, que começava a se cansar de esperar que a garota mostrasse ser filha de Atena, ou não. Como não gostara da garota, decidira que, no quinto dia, findaria a espera para se livrar de Bianca. E foi justamente neste dia que algo realmente interessante aconteceu.
Neste dia, Bianca estava ainda mais afastada dos outros que o normal. Ela caminhava pelo jardim, pensando em seus avós, que a abandonaram naquele lugar que parecia ao mesmo tempo cheio demais e vazio demais. Sentia-se solitária e claustrofóbica, e era como se um grito estivesse entalado em sua garganta. E naquele mesmo dia, ela viu novamente o garoto correndo de outros, que, desta vez, o alcançaram. Começaram a espancá-lo com socos e chutes. Bianca pegou, então, uma pedra, e jogou na cabeça de um deles. Este se virou, seguido pelos outros dois.
— Hey! — Gritou a garota, ciente que não teria a menor das chaces contra os três brutamontes que agora a observavam raivosamente. — Porque não pegam alguém do seu tamanho? — Os garotos começaram a correr para ela, porém foram interrompidos por uma garota loira que estava claramente irritada. Elizabeth, vinda de sabe-se-lá-onde, parou em frente à colega de quarto. Assim que o mais alto deles parou na frente de Elizabeth, a mesma deu-lhe um soco tão forte que ele cambaleou. Os outros dois se aproximaram para pegá-la também, porém ela deu um chute no que estava na frente, que caiu em cima do outro. Depois, virou-se para Bianca, já prevendo encrenca, e disse, simplesmente:
— Corre. — Bianca obedeceu, e o garoto não ficou para trás. Pouco depois, já dentro da escola, Elizabeth puxou ambos para dentro da Biblioteca, escondendo-se junto com eles atrás de uma estante de livros. Assim que não viu mais ninguém, virou-se para os dois. — O que raios vocês estavam fazendo? — Depois fixou os olhos no garoto. — E quem é você?
— Peter. — Respondeu o garoto. — Peter Danglars.
— Peter estava apanhando, e eu o ajudei. — Respondeu ela, logo depois. — E, a propósito, sou Bianca.
Elizabeth revirou os olhos.
— Tanto faz. Só tome cuidado. Se você chegar toda machucada no quarto, eu vou ter problemas também. — E saiu. Bianca acenou timidamente para Peter e, logo depois, seguiu-a.
Elizabeth dirigiu-se para seu quarto. Porque interferira pela garota? Ela era estranha, e nem era muito agradável. Algo lhe dizia, porém, que isso significava mais do que uma momento de loucura da filh de Ares, que nunca protegera ninguém.
Ao chegarem no quarto, Elizabeth se sentou em sua cama e Bianca foi até a janela, observar o pôr-do-sol. Após algum tempo, virou-se e sentou-se na própria cama. Antes que o sol se fosse totalmente, porém, uma coruja pousou no parapeito da janela. Elizabeth olhou para a garota. Poderia ser só uma coincidência. Porém, não era isso que sentia. Sentia que sua busca finalmente terminara.


2013 - Internato

Destruição e desolação reinavam não só no coração de Elizabeth, como também em tudo aquilo que ela via. A batalha, por menor que tivesse sido, devastara parte da pequena casa onde ela vivia com a mãe, que agora sumira entre os escombros daquele lugar. Lágrimas desciam pela face da garota, que soluçava pela perda da Sra. Graywood, além de seu meio irmão menor, Jonathan. A mãe se casara quando Elizabeth tinha um ano, e, depois disso, tivera o irmão dela, uma garoto que em nada se parecia com a mãe, ou com a meia-irmã: tinha cabelos castanho claros e olhos verdes, e era um tanto baixinho. Da última vez que o vira ele tinha nove anos. Será que ele sobrevivera? E sua mãe? Não sabia.
Elizabeth ouviu um barulho atrás de si e se virou, vendo uma mulher desconhecida, segurando uma faca sob o pescoço da mãe de Elizabeth.
— Quem é você? — Perguntou, rudemente, já limpando as lágrimas e pegando uma adaga.
— Calígena. — Disse, pressionando a faca con tra o pescoço da mulher. — E creio que esta seja sua mãe. — A garota ficou indecisa por alguns segundos, sem saber o que fazer, o que dizer. Por fim, disse:
— O que você quer comigo? — A deusa sorriu.
—Um juramento, Elizabeth. Quero que jure me obedecer. — Elizabeth sacudiu a cabeça negativamente.
— Você irá me mandar matar meus amigos, e desobedecer meu juramento com Atena. Não posso. — A deusa sorriu novamente.
— Você ficará livre até os quatorze anos, Elizabeth. E, caso eu te mande matar algum de seus amigos, você estará livre.
Não é necessário dizer o que a garota escolheu.
***

— Bianca Johnson, onde você está nos levando? — Sussurrou Elizabeth, pela nona vez. E, novamente, Bianca se virou e pediu silêncio colocando dois dedos sob os lábios. Peter segurou uma risada quando Liz bufou.
A verdade é que, depois do que ocorrera a alguns anos, eles se tornaram inseparáveis. Era difícil ver os três separados, praticamente impossível. Agora que os três haviam crescido, isso não mudara. Mesmo que agora eles estivessem muito diferentes, tanto na personalidade quanto na aparência. Elizabeth se tornara mais grave, séria, madura, mesmo que ainda tivesse doze anos, tentando colocar juízo na cabeça dos dois amigos, e muitas vezes falhando. Passara a fase de fazer travessuras com professores, embora ainda desse "lições" nas pessoas que não gostava. Seus cabelos haviam crescido, e seu corpo se desenvolvera um pouco. Peter agora se tornara alto e musculoso, além de brincalhão, sendo uma espécie de "palhaço" entre o trio. Mas foi Bianca que mais mudou. Ela abandonou seu jeito tímido e arisco, sendo agora extrovertida e orgulhosa, a que sempre se metia em problemas, e ocasionalmente levava os amigos junto. Seus cabelos agora puxavam um pouco mais para o louro, e ela já não parecia mais nova do que realmente era. Eram um trio realmente problemático no Internato.
Por fim, Bianca parou e olhou para trás, vendo se estava longe o bastante do colégio. Encontravam-se em uma clareira, que provavelmente era muito iluminada durante o dia. Mas agora, na calada da noite, só recebia iluminação da lua e das estrelas. Era uma visão razoável, porém, para Bianca, o melhor era a emoção de desobedecer as ordens do colégio.
— Gostaram do lugar? — Perguntou Bianca, com um sorriso sapeca nos lábios.
— Não acredito que você nos fez fugir da escola para ir à uma clareira. Obrigada, Bianca! — Seu sorriso ficou ainda maior.
— Aqui não tem professores, ou outros alunos, ou qualquer outra coisa. Aqui, estamos realmente sozinhos. — Ela foi até uma árvore, movendo um pedaço da casca. Aparentemente, ela já estava solta. De lá, Bianca tirou dois sacos de marshmallows, que fizeram Elizabeth revirar os olhos.
— Fugimos da escola para comer numa clareira. Quando poderíamos estar quentinhos em nossas camas, estamos aqui, no meio do nada. — Uma jaqueta voou para Liz. Bianca riu internamente com a cara azeda que a amiga estava.
— Vamos lá, Liz. — Disse Peter. — Não pode ser tão ruim. — Então ele pegou um dos sacos de marshmallows, examinando cada centímetro do plástico. — Como vamos acender a fogueira? — Bianca apontou para algumas folhas secas, amontoadas no chão, e pegou duas pedras. — Retiro o que eu disse. Estou do lado da Liz. E não me olhe desse jeito, Bia. Você sabe que não consegue fazer fogo com pedras. — Bianca bufou, depois jogou as pedras longe.
— Eu tava brincando, okay? — Disse, tirando um isqueiro do bolso e acendendo-o, queimando uma folha e a jogando junto às outras. — Viu? Não explodi nada.
— O mundo agradece. — Disse Peter, e Bianca jogou uma pedra no ombro dele, caindo na risada logo depois.
— Vocês são duas crianças. Nós estamos no meio de uma clareira, e não podemos ser pegos. E vocês se matando. — Elizabeth revirou os olhos, enquanto Bianca colocava as mãos na cintura.
— Pelo menos tente se divertir, Srta. Responsabilidade. — Disse, espetando marshmallows. Ela jogou um espeto para cada um e começou a esquentar o seu. Elizabeth continuava desanimada, o que irritou Bianca um pouco. — Que bicho te mordeu?
— Se não quiser seu marshmallow, eu posso comer. Não vou ficar bravo. — Disse Peter, já se inclinando em direção à Elizabeth.
— Nenhum bicho me mordeu, okay? Só estou dizendo que não deveríamos estar aqui. — Depois, ela se inclinou um pouco e deu um tapa na mão de Peter. — E tira a mão do meu marshmallow, Peter, se tem amor pela vida!
— Droga. Porque resolveu se alegrar logo agora? — Disse Peter, e Elizabeth lhe mostrou a língua.
— Agora é a Liz que eu conheço. — Elizabeth revirou os olhos, porém sorrindo.
— E eu tenho outra opção, Bia? E então, vamos fazer o quê aqui? Comer marshmallows enquanto batemos no Peter? — Peter fez uma careta.
— Vamos esquecer essa parte de bater no Peter, okay? Peter não está afim de apanhar hoje. — Bianca arqueou a sobrancelha.
— Porque está falando em terceira pessoa? — Peter pareceu pensar um pouco, e depois deu de ombros.
— Sei lá.
— E então, o que vamos fazer aqui, Bia? — Disse Elizabeth.
— Não dá pra acreditar que trouxe os dois aqui para ver a lua? — Elizabeth e Peter se entreolharam, e depois se viraram para Bianca.
— Não. — Disseram, em uníssono. Bianca sorriu.
— Então vocês tem cérebro. Eu estava pensando em fazer uma brincadeirinha com a professora de matemática. Uma brincadeira inesquecível...
***

— Bianca Johnson, tenho sérios motivos para acreditar que você colocou um sapo na gaveta da Srta. Jay. — Bianca conteve um sorrisinho, que quase lhe veio aos lábios, e, depois, tentou fingir inocência.
— E porque eu? — Perguntou, com a voz parecendo um tanto imbecil, e os olhos grandes observando a diretora.
— Pode parar com seu teatrinho, Srta. Johnson. Seu amigo, o Sr. Danglars, nos contou tudo. — Bianca cruzou os braços e as pernas, franzindo a sobrancelha.
— Maldito dedo-duro. — Sussurrou, e depois falou, em voz alta. — E qual vai ser o castigo? — A diretora sorri, o que faz Bianca se conter para não revirar os olhos. Ainda precisava da piedade da diretora. A mulher volta a sentar-se na cadeira atrás da mesa da diretoria. Enquanto olhava a mulher, que estava do outro lado da mesa, não pode deixar de pensar que tudo ali cheirava a mofo. Ela começou a mexer em alguns papéis, e, depois, tirou um de dentro de uma pasta.
— Srta. Johnson, acredito que apenas ajudar na cozinha seja suficiente, certo? — Bianca assentiu, desanimada. Não existia nada pior do que ajudar na cozinha naquele Internato. — Ótimo. Espero que você tenha bons resultados.
***

As mãos de Bianca tinham pequenos calos, de tanto descascar batatas. Chegara a conclusão de que odiava qualquer coisa relacionada a cozinha. Estava deitada de costas em sua cama, e Elizabeth estava na mesma posição, na cama dela. Ambas fitavam o teto.
— Tem certeza de que foi Peter que contou? — Perguntou Elizabeth.
— Foi o que a diretora disse. Mas talvez tenha sido armação dela.
— Duvido. Aposto que a diretora nem desconfiaria se não fosse por ele.
— Sabe o que a gente precisa para ter certeza? — Elizabeth ficou em silêncio. — De uma confissão. Acha que pode fazê-lo confessar? — Elizabeth deu um sorriso estranho. Se Bianca tivesse prestado atenção, veria que ela estava bolando algo.
— Acho que, se você me ajudar, conseguimos, sim. — Bianca franziu a sobrancelha.
— O que vai fazer, Liz?
— Espere e verá. Mas me encontra naquele carvalho que tem no jardim quando estiver saindo da cozinha. Que horas você sai, mesmo?
— Duas horas. Por quê?
— Duas horas no carvalho. Isso vai ser lindo.
***

Peter estava com as costas no velho carvalho, com Bianca e Elizabeth cercando-o.
— Vamos lá, garotas, vocês sabem que não fui eu. — As duas se entreolharam.
— Não sabemos nada. Sabemos que alguém dedurou a Bia, e sabemos que tem o sobrenome Danglars, e que é um menino. Então...
— Não sou o único Danglars nessa escola! — Ele protestou. Bianca arrancou um galho do velho carvalho e começou a bater na própria mãe.
— Exemplifique.
— Tem aquele menino que você deu um fora, Bia. — As duas se entreolharam.
— O sobrenome dele é Danglars? — Perguntou Elizabeth.
— Sei lá. Vamos descobrir quando ele passar por aqui. — E as duas se sentaram ao lado de Peter, como se nada houvesse acontecido. E Peter não pode deixar de notas que as duas eram completamente loucas.


2014 - Revolta

Bianca caminhava calmamente pelo Internato. Nada mudara muito desde o ano de 2013 naquele colégio, mas ela mudara. Era temporada de férias, mas ela estava presa ao colégio. Seus avós não haviam dado permissão para que ela saísse, e, mesmo que o tivessem feito, ela não teria para onde ir. Elizabeth e Peter haviam saído. Elizabeth disse que mandaria notícias logo, logo. Peter também. Por isso, estava se encaminhando até a secretaria. As cartas que chegavam iam para lá, e os alunos precisavam ir lá pegá-las.
Por fim, chegou ao local, e constatou que não havia notícias de nenhum de seus amigos. Sentia a solidão corroer-lhe, porém, mesmo assim, tentou mostrar um sorriso aos outros alunos, para parecer cofiante.

***

Elizabeth corria o máximo que podia, que suas pernas permitiam. Um cão infernal a seguia, e como as ordens eram "Não chame atenção", preferiu não matá-lo. Não no Central Park. Onde todas as pessoas viam um simples cãozinho. Correu ao máximo. E, assim, correndo, chegou à floresta, onde, finalmente, deu cabo no monstro. Sentou-se em qualquer lugar e ficou apenas ali por um tempo, pensando em sua família. Há certo tempo não voltava ao lugar em que todos eles haviam sido capturados. Decidiu-se que era para lá que iria. Precisava de um lugar para ficar, enquanto estivesse fora do internato, já que disse a Bianca que iria visitar os pais. E, nada contra a Filadélfia, mas não gostava muito de ficar por ali. Mas, antes de qualquer coisa, precisava falar com os avós de Bianca. Eles precisavam saber que estava chegando a hora. Ainda amavam a garota, e muito.
Começou a ir em direção ao local. Ficava até mesmo longe de onde ela estava. Mas, mesmo assim, foi andando lentamente, sem se preocupar com o tempo que demoraria para chegar ao outro lado da cidade. Observava as casas e lojas em volta, pensando no lugar onde poderiam estar sua mãe e seu irmão.


Última edição por Bianca Johnson em Sex Maio 25, 2012 6:07 pm, editado 9 vez(es)
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História de Jack Brown

Mensagem  Jack Brown em Sab Out 01, 2011 10:29 pm

[ 2 de novembro de 2002 ]


“Acordei de modo estranho naquele dia. Na verdade, noite. Era novembro de 2002, e eu tinha apenas cinco anos. Um homem me segurava pelo braço e me balançava. Assustei-me quando o vi. Quem era ele? Como entrara na casa? Pensei se não seria mais um dos “caras maus” que não eram legais com minha mãe. Mas não parecia ser.
-Menino, acorde. Precisa vir conosco para o hospital.
-Quem é você? – perguntei.
-Sou paramédico. Meu nome é Mark. Sua mãe, estava grávida certo? Ela me ligou e disse que precisava de mim e meus colegas aqui. Seu irmãozinho está prestes à nascer. E não podemos te deixar sozinho aqui.
Continuei olhando para ele. Queria perguntar onde estava minha mãe e como toda criança, queria saber como meu irmão sairia da barriga dela. Mas mesmo assim, me levantei, e segurando a mão dele, fui indo em direção às escadas e depois para fora. Pude ver um carro vermelho e olhando ao longe, bem no final da rua, estavam as luzes de uma ambulância cada vez mais longe.
-Cadê minha mãe?
-Está naquela ambulância – apontou. – Precisavam leva-la rápido, ou poderiam ter problemas com seu irmãozinho. Eu fiquei pra te acordar. Vem, fica calmo, logo vai vê-la.
Decidi então acreditar nele. Fechei a porta da casa, do qual ele trancou e entrei no carro, ficando no banco de trás e colocando o cinto de segurança. Queria logo ver minha mãe, saber como estava, e ver meu irmão. Queria tirar a grande dúvida de como ele iria sair de dentro dela! Mark ligou o carro e seguiu rumo ao hospital.
-Como se chama, garoto?
-Jack.
-Quantos anos tem, Jack?
-Cinco.
Vi pelo espelho retrovisor que Mark sorriu. Ele pegou uma pequena foto e deu em minhas mãos. Fiquei olhando. A foto tinha um menino pequeno ao lado dele e de uma mulher.
-Meu filho tem a mesma idade que você. Se chama Connor. Esta é minha esposa, Teresa.
-É a mãe dele?
-Sim, é a mãe dele.
Fiquei um breve tempo em silêncio, olhando para a foto. Depois levantei os olhos e fiquei encarando Mark pelo espelho retrovisor.
-Como ele saiu da barriga dela? – perguntei inocentemente.
Mark começou a rir. Parecia pensativo, tentando achar algo para dizer.
-Algum dia eu te conto, Jack.
-Mark... Como ele entrou lá?
Seus risos cessaram e percebi que ele engoliu em seco. Porém, ficou em silêncio pelo resto do trajeto.

***
A primeira coisa que reparei quando cheguei no hospital eram os médicos e enfermeiros correndo para lá e para cá. Pessoas machucadas, chorando e algumas até mais calmas. Aquilo era estranho para mim, até mesmo assustador. Não tinha visto ainda minha mãe muito menos meu irmão. Mark entrara em um quarto e me deixou sozinho. E fiquei ali, ainda mais assustado e ansioso do que antes. Podia ouvir a chuva caindo do lado de fora, e esta me chamou atenção, fazendo-me imaginar como estariam as coisas lá fora. Então uma porta se abriu e pude ver Mark.
-Oi, Jack. Desculpe te deixar sozinho, mas era preciso. Seu irmãozinho já nasceu.
Na mesma hora fiquei de pé. Mark fez um gesto me chamando e fui indo em sua direção para dentro da porta. Lá, pude ver minha mãe deitada na maca com um lençol com sangue sendo tirado de baixo dela. Fiquei tenso quando vi aquilo, até que minha mãe virou o rosto e olhou para mim.
-Jack. Venha aqui. – disse com voz cansada. Não querendo desobedece-la, fui até ela. – Fique de olho no seu irmão. Vão limpá-lo e leva-lo até onde ficam os outros bebês. Quero que fique de olho se ninguém irá leva-lo embora ou machuca-lo. Pode fazer isso?
Assenti.
A verdade é que depois dessa noite, eu sempre recebia pedidos para cuidar de meu irmão. Ele foi chamado de James, por causa de uma mulher que ficou no mesmo quarto de hospital da minha mãe e era viciada no James Brown. Quando soube que minha mãe tinha esse sobrenome, implorou para chama-lo de James.
Com oito anos, ele foi pego pelos mais procurados traficantes da Califórnia como pagamento das drogas de minha mãe, ele tinha apenas três anos. E fui eu quem teve de busca-lo, já que minha mãe entrou em depressão e tentou se matar depois disso. Foi quase como um trauma para mim, mas foi o que me motivou a busca-lo.
E assim foi minha vida até quando tive que mudar de escola...

:: PARTE DOIS ::

continua...


Última edição por Jack Brown em Qui Fev 09, 2012 5:32 pm, editado 4 vez(es)
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Re: GENTE, CORRE, VENHAM AQUI!! PROPOSTA DE UMA "BRINCADEIRA" AQUI!!

Mensagem  Lunna Elladora Nightwood em Sab Out 01, 2011 10:31 pm

Vou escrever, já tô começando, pequenos pôneis.
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História de Bethany Bloom, Riley Bloom e Ian O'shea

Mensagem  Bethany Bloom em Qui Fev 09, 2012 8:44 am

Todos os gifs presentes nesse tópico pertencem à Agnes/Bethany/Lembre-sedisso. Se for usar, credite.

[Prólogo]


Um vento frio soprava pelas ruas da cidade, aonde no dia anterior havia nevado. Não tão forte como Janeiro, mas ainda assim, significativo. O quê, aquilo era Nova York, mais precisamente, Manhattan, mas ninguém questionava a neve caindo fortemente todo o inverno. Era assim que acontecia.
Vindo de uma pequena cidade no interior de Iowa, a garota conhecia o frio, mas não a neve propriamente dita. Vinha acompanhada de uma pequena garotinha com seus quatro ou cinco anos, e uma mulher um pouco mais alta que parecia ser muito nova para ser a mãe das duas.
Bem, não era mesmo.
A garota mais velha carregava sua irmã pela mão, e a pequena tossia um pouco, como se estivesse resfriada. A mulher mais velha mandou que as duas sentassem em um sofá na recepção do colégio enquanto ela resolveria a matrícula das duas.
O garoto que as observava estava em horário de almoço em sua aula. Ficou pensando nas duas que chegariam na metade daquele ano letivo, e como seria difícil para elas arrumarem algum amigo. Ou pelo menos, a mais velha, porque a pequena ainda não possuía idade para colégio.
Segurando sua pizza, ele se aproximou das duas.
– Quer um pedaço de pizza? – Ele oferece, tentando conseguir alguma amizade.
Os olhos da garota mais nova brilham de vontade, mas a mais velha permanece rígida. Seus olhos, mesmo aparentando 11 ou 12 anos, mostravam uma maturidade notável, como alguém que tivesse de crescer antes do tempo. Sem olhar para o garoto, cochicha para a garotinha.
– Espere, Riley. Logo vamos comer. Não se pode aceitar qualquer coisa de estranho, mesmo de um bonito, okay?
Se fosse qualquer pessoa, não teria ouvido o que ela disse, mas o garoto não era qualquer um. Era um semideus, filho da rainha dos primordiais, portanto, ouviu. Não falou nada a respeito, mas continuou sorrindo.
– Obrigada, garoto. Mas ninguém chega oferecendo um pedaço de pizza do nada, certo? Está procurando algo em nós? – Ela solta, encarando-o.
– Ian.
– Oi?
– Meu nome é Ian, não garoto.
– Certo, Ian, agora me responda.
– Procuro amizade. – Ele apenas responde, balançando os ombros.
Então ela dá um leve sorriso para ele, que o deixa um tanto desorientado. Quem era essa garota? ele pensava.
– Você parece ter doze anos. Eu tenho doze, provavelmente ficaremos na mesma sala. – Ian tenta puxar conversa.
– Tenho onze. Vou fazer doze ainda, e Riley, minha irmã, fará cinco logo depois. – Ela explica.
– Ah. Eu vou fazer treze. Mas não tem importância. Nossa sala fica uma do lado da outra. – Ele sorri.
Riley solta uma tosse um pouco mais forte, e cochicha a irmã que não se sentia muito bem. A garota mais velha suspira.
– Ela... está doente? – Pergunta Ian, mas, é claro, era uma pergunta óbvia.
A garota não sabia porque adquiria tanta confiança a ir soltando sobre ela e sua família ao garoto. Talvez as crianças, normalmente, eram assim. Com uma frase se formava uma amizade, e dez minutos depois, você não precisa esconder quem é.
– Sim. Não é qualquer coisa simples. Precisamos achar algum lugar para interná-la. Ela tem a doença da minha mãe, mas ainda não se desenvolveu totalmente. Logo vai ficar pior e...
Ela não completou a frase, mas Ian compreendia que era grave a situação.
– Olha, meu avô é médico em um hospital não muito longe daqui. Posso conseguir que ela fique por o tempo que precisa.
Embora isso significasse muito tempo, a garota sorriu abertamente, como se uma esperança tivesse surgido nela. Não daria para usar hospitais públicos devido a gravidade da doença de Riley e a espera para interná-la, mas sua tia não possuía dinheiro para pagar por um plano de saúde. Mas, se aquele garoto poderia oferecer por um tempo, ela faria de tudo para trabalhar em qualquer lugar para conseguir o dinheiro para pagar o resto. Porque os primeiros meses eram os mais difíceis, mas se ele ajudaria...
– Sério? Você faria isso?
Ela olhou com seus olhos verdes metálicos nos azuis dele, e ele ficou sério, mas preso naquele olhar.
– Claro, mas com uma condição.
Sim, pensou a garota, eles sempre pedem algo em troca. Ela já se acostumava com isso, e se preparou para ouvi-lo.
– Você ainda não me disse seu nome.
Então ela sorri, enquanto responde:
– Bethany. Bethany Bloom.

5 ANOS DEPOIS
[
4 de Setembro de 2014]

– Tia, cheguei. – Aviso, embora saiba que ela não estaria ouvindo. Nesse horário ela ainda não havia chegado de sua viagem a trabalho. Eu apenas encontraria seu namorado, provavelmente largado no sofá, mas a cena que encontrei foi mil vezes diferente.
Minha tia havia chegado um dia mais cedo. E não apenas eu estava surpresa, mas seu namorado e uma garota desconhecida que parecia se vestir rapidamente.
– AINDA BEM QUE VOLTEI MAIS CEDO! – Ela está gritando com ele, enquanto ele tenta falar algo, mas é claro que está sem defesa alguma.
A garota desconhecida termina de vestir seu casaco e sai correndo pela porta, dando um sorriso meio apertado para mim, como se tivesse dizendo: ainda bem que será você que agüentará isso.
Minha tia pega um vaso de flor e taca na parede, centímetros do rosto dele.
– SAIA DA MINHA VIDA! – Ela grita, e ele tenta se aproximar dela.
– Calma, meu docinho...
Seu hálito... ótimo, ainda está bêbado.
Quando ela segura uma panela (o primeiro objeto que vem a sua mente, presumo), ele toma consciência de se afastar.
– Vá... apenas vá embora! – Ela grita, mas um pouco mais controlada, e consegue abaixar a panela.
Marcos, o nome do sujeito, tem o bom-senso de sair dali de uma vez.
Todo o momento, eu havia assistido aquilo ao lado da porta. Havia congelado e apenas observado, e agora minha tia caminhava-se para o sofá.
Acompanho-a para lá, e ficamos um tempo apenas quieta. Nem sei se ela percebeu minha presença ali.
O telefone toca uma vez, e é ignorado. Pela segunda vez, eu o atendo, e uma voz firme pede para eu passar para a Srtª Bloom. Certamente, não era de mim que ele falava.
– É... para você.
Ela atende de mal gosto, mas assim que ouve a voz, se afasta para janela, talvez, para ter privacidade.
Minha tia nunca havia gostado muito te mim; ela e minha mãe não eram as melhores amigas quando eram menores, mas aceitou me dar moradia por um tempo. Para mim e para Riley.
A única coisa que pedia em troca era, claro, além de não trazer problema e bagunça, que eu não interferisse na vida dela, e ela não faria nada na minha. Assim, eu não sabia sobre seu trabalho, namorados, problemas... era um pouco gratificante, até, por assim disser. Só a doença da Riley já era um problema enorme a se preocupar.
Quando ela voltou, começou a juntar os cacos do vaso com uma vassoura, portanto, era de imaginar que eu já havia lhe dado espaço suficiente.
Eu estava errada.
Mal consegui falar uma frase, e ela começou a despejar as coisas em mim.
– Acabei de perder o emprego. Estou sem nada no banco. Perdi meu namorado. Fui traída, chego de viagem um dia mais cedo para encontrá-lo na cama com outra. Meu dia não pode ficar pior, mas aí eu lembro que sua mãe me deixou as duas filhas para cuidar. E ainda por cima, uma delas herdou a doença infernal da mãe. Sabe, Bethany, se ainda por cima você fosse normal... Não, você tem que ter aquela história toda de diferente, que só atraí problema praticamente todo mês para mim. Maldito seja seu pai...
Do quê... do que diabos ela está falando?
– Olha, Bethany, não tenho nada contra você. Apenas contra sua mãe, mas isso não quer dizer que agora eu precise cuidar da minha vida. Vá para Long Island, aonde você já era para estar faz realmente muito tempo.
– Mas...
– Não, apenas... vá, Bethany. Você já trouxe muitos problemas. Eu vou sair agora, quando voltar, espero que nada mais de você esteja por aqui.
E ela saiu sem falar mais alguma coisa, ou ao menos me deixar falar algo.
– Merda! – Chutei o sofá com força e raiva nem um pouco contida, e, da chuva que caía lá fora, um raio ou outro soltou.
Naquele momento, eu pensava que ela apenas estava abalada pela cena que estava vivendo, portanto, apenas descontava em mim. Mas mais tarde, quando eu entendi toda a situação, eu passei a pensar que talvez ela achasse que eu era o imã para todos esses problemas que ela tinha, tendo em vista que ela sabia quem eu era.
Entretanto, meus pensamentos naquele momento era em como eu faria para permanecer em Manhattan se estava claro que minha tia não me queria mais em casa, mas eu precisava ficar por perto para cuidar de Riley.
Só me veio um pensamento na mente. Ian.


[
6 de Setembro de 2014]


– Riley! – chamei. Ela vinha correndo, o saindo o mais longe possível do Hospital, eu sabia. Ela me deu um abraço forte, e eu a abracei também. Os melhores momentos com ela era assim, quando ela recebia uma breve alta, e podíamos passar um tempo juntas.
– Feliz aniversário, pequena. – Diz Ian, ao meu lado. Ele havia dado esse apelido para ela faz tanto tempo que é quase estranho vê-lo chamando-a de Riley.
– É, feliz aniversário, irmãzinha. – Completo.
– Dez anos! Finalmente! – Ela solta de mim, rindo.
Começamos a andar, sem ao menos olhar para o Hospital. Era o pior lugar que conhecíamos, mas também, um lugar que eu sabia que deixava Riley bem para ficar conosco durante todos esses anos.
– Ei, não tenha pressa de crescer. – Comenta Ian, e eu confirmo com a cabeça. Ela apenas ignora, andando ao nosso lado.
– Para aonde vamos?
– É uma surpresa. – digo.
– É... o caminho do Central Park. Beth, Ian, não sou mais tão pequena a ponto de ficar pregando peças nas pessoas por lá.
– Nem nós, pequena – ri Ian – Apesar de eu ser mais velho do que você quando eu fazia isso.
– Mas não se preocupe – completo. – Vai ser algo diferente.
Levamos a para uma Feira de Verão/Outono que acontecia ali no Central Park, em uma área determinada do parque. Havia comidas, brincadeiras, crianças para todo o lado, e além de alguns brinquedos comuns de Parque de Diversão.
Nunca esqueci de como o rosto dela se iluminou ao ver aquele lugar, quase comecei a rir dela. Ela saiu correndo em direção ao carrinho bate-bate – não porque era o seu preferido, mas o primeiro que ela viu; o primeiro de muitos.
– Vai lá com ela, vou pegar algo para nós comermos enquanto ficamos na fila. – Ian diz.
Assento com a cabeça, apesar de que naquele momento, eu não sabia que ele não estava apenas pegando comida, e sim falando com sua mãe.
– Meu Deus, Riley. Calma. – digo, mas rindo, assim que a alcanço.
– Cadê o Ian? Não vai ter graça se formos nos carrinhos para nos matar se ele não estiver – murmura ela.
– Ele está vindo.
E não demora a aparecer, com uma pizza na mão, cachorro-quente para Riley e uma maçã-doce para mim.
– Devia saber – aponto para o que ele segura – você idolatra pizza – comento, fazendo os dois rirem.
Aquele dia passa bem rápido, mas posso ver que foi um dos melhores para Riley. Fomos várias vezes em diversos brinquedos, o que incluí os carrinhos, uma mini montanha russa, roda gigante, barco pirata, trem fantasma, e diversas barraquinhas que ganham prêmios, além de comermos bastante.
No final, Riley tentava o famoso jogo de argola para ganhar algum prêmio, enquanto eu e Ian ficamos sentados no banco alguns metros atrás dela.
– Obrigada. – eu digo.
– A ideia foi sua, Beth. Ela está feliz por causa de você. – Ele comenta.
– Não... eu digo por tudo. Se você não tivesse oferecido o lugar para a Riley no Hospital aquele dia, ela poderia não estar aqui.
Ele sorri por um momento, como se lembrasse daquele dia.
– Não sei, alguma coisa me dizia, naquele momento, que era a coisa certa a fazer.
– E obrigada por deixarmos ficar no seu apartamento, até eu conseguir um emprego melhor, enquanto tento a faculdade. Daí posso comprar algo para nós.
– Sem problemas, Beth. Você... quer tentar medicina, não é?
– Sim... quero tentar curar isso que Riley tem. Sei que ela pode morrer a qualquer dia, e não quero arriscar.
Ele assente, e nós olhamos quando Riley consegue acertar duas argolas, e ganhando um pequeno gato de pelúcia. Eu sorrio vendo ela, mas não paro de deixar de pensar na doença dela.
O que é irônico. Nós dois pensando em sua doença e que ela poderia morrer quando menos percebêssemos, e esse era o último aniversário que Riley comemorava.



[1º de Março de 2015]

– Então você quer que eu aprenda a usar uma adaga?
– Nunca sabe quando poderá ser útil, Srtª Bloom. – diz Ian. Eu rio. É engraçado o tom que ele usa quando fala assim. – Os mais possíveis psicopatas são encontrados por Nova York
– Ok. A maioria das pessoas teriam um spray de pimenta, mas eu tenho uma adaga. Certo – Eu pego a adaga da mão dele. É pequena, menor que um punhal, e me parece estranhamente inofensiva.
– Uma adaga é uma das melhores armas que você pode ter. Pode escondê-la em qualquer lugar, desde seu bolso até a bota que usa, apesar de que usar como prendedor de cabelo pode lhe dar um charme sexy e perigoso.
– Ah, cale a boca. – Rio novamente.
– Enfim. Ela é prática e discreta. Apesar de ser pequena, não a subestime. Existe um ponto nas costas de um homem que você pode perfurar sua espinha e seu coração, ao mesmo tempo. Morte na certa.
– Meu Deus, Ian, eu não vou assassinar ninguém!
– Já te disse que pode ser útil. Ei, Bethany, é meu aniversário, o certo é que posso fazer o que quiser hoje!
– Nem tudo... – Murmuro, com um meio-sorriso.
Com o passar dos minutos, ele me ensina a desarmar alguém que possa estar com uma faca em um único golpe, embora eu não entenda como aquilo possa me servir, se não vou estar parada para duelar com alguém.
Estava muito errada. Esse golpe me salvou a vida milhares de vezes depois.

[4 de Março de 2015]

Eu estava no meu quarto no apartamento de Ian. Riley estava deitada na cama. Eu sabia que amanhã ela já deveria retornar para o Hospital, seu estado estava piorando.
Suspirei, olhando a tossindo e ficando branca. Faria tudo para levá-la agora, mas, diferente do apartamento de minha tia, aqui não era próximo do Hospital.
– Você vai ficar melhor, Riley. Logo te levamos de volta. – Prometi.
– Eu não quero voltar para lá, Beth. Quero ficar aqui.
Aconcheguei ela na cama, fazendo um cafuné leve. Ela soltou um suspiro, e eu lembrei de que, quando ela era menor, eu cantava uma música para ela, da mesma maneira que minha mãe cantava para mim. Ela amava essa música, e fazia se sentir melhor.
– Eu me lembro das lágrimas escorrendo pelo seu rosto, quando eu disse "nunca te deixarei ir embora". Quando todas as sombras quase acabaram com a sua luz, eu me lembro que você disse "não me deixe aqui sozinho". Mas tudo está morto e acabado e já passou esta noite. Apenas feche seus olhos, o sol está se pondo. Você ficará bem, ninguém pode te machucar agora. Venha luz da manhã, nós ficaremos sãs e salvas.
Ela havia adormecido logo na última parte da música, e lhe dei um beijo na testa. Amanhã acordaríamos o mais cedo para levá-la. Agora ela merecia um pouco de descanso.
Cheguei na sala a tempo de ouvir alguma voz.
– Chega de distrações! Venha para cá agora!
Quando consegui ver, era apenas Ian, com uma televisão desligada, apesar de sua expressão não ser de relaxamento. Não me importei, afinal, não havia ninguém ali. Ele poderia ter acabado de desligar a televisão.
– Riley está dormindo no quarto. Vou dormir no sofá aqui hoje. Estou com medo de levá-la para a cama dela e acordá-la... e não cabo lá. – Comento.
– Tudo bem, pode dormir na minha cama.
– Tem certeza?
– Claro – Ele sorri.
Ian acaba de voltar do seu trabalho. Ele trabalha em uma pizza, é claro. Como sempre, trás uma pizza para comer a noite.
– Sabe, eu não me surpreenderia se te encontrasse casado com uma dessas. – Comento, rindo.
Ele ri também, e me oferece uma pizza. Nego. Estou sem fome. Na verdade, me sinto imensamente cansada. Já estava até com a minha camisola. Não me importava de ficar desse modo com Ian. Afinal, já somos amigos há muito tempo.
– Olha, chegou uma carta para você. – Ele aponta com a cabeça para um pequeno envelope na mesa.
Sem saber quem poderia me enviar uma carta, a não ser meu avô (e eu realmente esperava que não fosse ele), abro o envelope.
Minha expressão vai passando de descontentamento para surpresa. Primeiro, eu não entendi o que estava escrito ali. Era estranho demais para pensar. Então, alegria vai tomando meu rosto, e eu me seguro para não dar um grito que acordaria Riley. Abraço Ian com toda força que possuo.
Fiquei olhando um tempo em seus olhos azuis e ele nos meus, mas então balancei a cabeça e me afastei, relatando a notícia.
– Eu consegui! Me aceitaram! Vou estudar medicina na faculdade!
Mesmo que faltasse apenas um ano, era uma coisa magnífica. Eu poderia curar Riley, e quem sabe mais tantas crianças que tivessem a mesma doença que ela!
– Parabéns, Doutora Bloom. – Ele sorri, e acho que realmente está feliz por mim. Mas vejo alguma outra coisa em seu olhar. Algo como quem estivesse avaliando a proposta de ter a minha vida.

[7 de Março de 2015]


Estava chovendo, com raios no céu.
Eu relia o bilhete de Ian pela quinta vez. Estava saindo do Hospital de Riley, em caminho ao apartamento dele. A situação de Riley estava pior do que nunca, e estava cada vez mais certo que ela morreria.
Ian havia nos deixado. Disse que tinha coisas importantes a fazer e que procuraria voltar, mas provavelmente não voltaria mais. Era perigoso. Quando acordei na manhã depois de descobrir que eu poderia curar Riley, lágrimas desceram da minha face ao ler seu bilhete. Ele nos deixara ali. Disse que amava Riley e pensaria nela melhor todos os dias. Disse que me amava. Eu não sabia muito bem o que pensar. A raiva de ele ter nos abandonado bem quando Riley estava assim, e eu precisava claramente de um apoio, me deixou com vontade de rasgar a carta em mil pedaços. Mas me contive a não fazer isso.
Ele pode voltar, Bethany. Ele prometeu que irá fazer isso, se ocorrer tudo bem. Ele lhe deixou o apartamento inteiro. Ele se importa com você.
Essas eram as respostas que meu cérebro produzia, mas, se ele me disse que amava, então porque me abandonou? E ainda, porque ele disse, SE ele voltar?
Se for assim, agora perdemos a chance de ficarmos juntos.
Foi quando eu o vi. Um cachorro mostrando os dentes em minha direção. Franzi os olhos, não entendendo a cena, então as imagens se modificaram. Tratava de um cachorro realmente enorme, talvez do tamanho de um carro.
Arregalei os olhos, e, como se eu já tivesse feito isso mil vezes em minha vida, peguei a adaga que Ian deixara comigo.
Um raio iluminou o céu, enquanto as palavras da minha tia inundavam minha mente. Long Island. O que havia lá?
Tudo aconteceu em alguns segundos, e eu já começava a correr do que quer que fosse aquilo. Eu nem parei para me perguntar aonde estariam as pessoas, porque elas não faziam nada, ou a lógica daquilo tudo.
Era algo mais como... instinto. Sei lá.
Mesmo que eu corresse, estava com a adaga pronta para ser usada, e sabia que a usaria. No meio da corrida, a carta de Ian caiu na calçada, e a chuva tratou de consumir suas páginas.
O resto, você já sabe.

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